quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mais lições da "Discordância Radical"

Teosofismo...
Helena Petrovna Blavatski (ou HPB, sigla da fundadora e guia do teosofismo) afirmava, entre outras versões e intencionais mentiras!, que recebera a "doutrina secreta" por psicografia ditada por dois mahatmas, mestres tibetanos já falecidos.
Os elementares, fadas, gnomos... regeriam a natureza. Miniatura
de 36mm.
Neste ponto da pretensa revelação pelos mais altos espíritos dos mortos, teosofismo e espiritismo coincidem.
O teosofismo apresenta-se como a "verdade absoluta", pretende estabelecer "a pedra angular das futuras religiões da humanidade".

&& Religião (de religare ) é a relação criatura-Criador. Como o Teosofismo poderia ser religião se nega a existência pessoal de Deus?!. São panteístas e portanto, ateus.

Pela convicção e pelo ateísmo prático, o teosofismo se identifica com diversos tipos de espiritismo.

-- E como o espiritismo, o teosofismo está seguro de ser, através de HPB, o único caminho reto de revelação mediúnica dos espíritos superiores, "elo puro e abençoado entre os seres do Alto e os da Terra".

A doutrina "revelada" (?) pelos mahatmas é completamente diferente da doutrina do espiritismo. Os teósofos desprezam os espíritas de todo tipo considerando que eles são miseravelmente enganados pelos "elementares", seres inferiores, do plano astral que nem espíritos são.

... e tantos outros
Repetir-me-ia monotonamente se apresentasse singularmente outras seitas espíritas como os rosa-cruzes, os cabalistas, os san-martinistas, os neognósticos, os albigos, os "verdadeiros valentinistas", etc, etc., etc.

Já no "Congresso Internacional do Espiritismo" de Paris em 1889, fizeram-se presentes os representantes dessas seitas do alto espiritismo. Em todas e cada uma delas a mesma certeza de serem os únicos que recebem de primeira mão a revelação do alto mundo espiritual. E não obstante, estes espíritos não só pela doutrina, mas também pela origem e características, são completamente diferentes dos mahatmas, dos pré-adamitas, dos caboclos e pretos-velhos, dos exus e orixás, e completamente diferentes das entidades que se comunicariam aos kardecistas e a tantos outros ramos do alto espiritismo.

Também no citado Congresso Internacional de Espiritismo participaram legitimamente, pois haveriam recebido a doutrina dos espíritos superiores, e com eles estariam em comunicação, numerosos outros espiritismos, ramos desmembrados do ocultismo, da cabala, do martinismo, dos rosa-cruzes, do teosofismo, do faquirismo, e outros vários nomes do alto espiritismo com conotações e influência oriental.

Pois bem, os "espíritos superiores" orientais não concordam com os ocidentais.

--- Segundo os espíritas de influência budista -e segundo o budismo milenar -, os "espíritos" dos mortos nenhum ou muito pouco tempo teriam para comunicar-se com os vivos. Porque a reencarnação seria ou imediatamente, no instante da morte, ou no máximo após 49 dias, tempo em que os "espíritos" estariam num estado intermediário (bardo). Acontece, porém, que o bardo pouco ou nada poderia revelar de sensato, precisamente porque no bardo os "espíritos" dos mortos, muito desorientados, não teriam possibilidade de entender coisa alguma...

Ou reencarnação imediata, ou bardo. E há muitos espíritas por todo o mundo com essas teorias! Como poderiam receber a doutrina dos "espíritos"? Como poderiam receber essa mesma crença nesse "além"? Só a total falta de lógica de todos os tipos do fanatismo espírita não os impede de ser espíritas!

-- Os espíritas do Japão acreditam desde tempos imemoriais que seus antepassados, espíritos familiares, geralmente considerados como "espíritos superiores" e bons, só vêm à Terra uma vez por ano, para rever seus lares. Precisamente na noite do 13º dia do 7º mês do antigo calendário.

&& Mesmo que só fosse por essa doutrina, o alto espiritismo do Japão já seria completa refutação das pretensas freqüentes revelações de tantos outros ramos do espiritismo.

"Espíritos Superiores" católicos?

-- Cinco anos após os acontecimentos com as irmãs Fox, no primeiro livro de destaque publicado pelos espíritas (Lights and Sound", de Henry Spicer, Londres), o teor geral das manifestações dos espíritos na Inglaterra e EUA era simpático ao catolicismo.

Á pergunta "qual é a verdadeira religião?", a resposta mais freqüente dos "espíritos superiores" era do tipo: "Nenhuma é perfeita, mas a Igreja Católica é a mais próxima à realidade".

-- Stainton Moses, o grande líder nos princípios do espiritismo, declarou que seu "espírito guia" principal era nada menos que o do profeta Malaquias, que o foi orientando para a Igreja Católica:

"Durante essa fase de tua crença religiosa nós tínhamos dirigido teus estudos para a história daquela falange de pessoas que creram em Cristo (Messias, Deus...). Leste seus livros, vieste ao conhecimento do seu Credo, aprendeste deles muito do que é verdade real (...). Um raio de luz iluminou tua alma quando começaste a acreditar que um católico pode salvar-se e que Deus pode considerar com benevolência as orações dirigidas à Virgem (...) Percebeste a existência da intercessão dos santos e conheces a força da oração".

-- Seguidores de muitos tipos de espiritismo se autodenominam "os verdadeiros cristãos". Allan Kardec - ou os seus "espíritos superiores"! - escreveu "O Evangelho segundo o Espiritismo" como sendo a verdadeira doutrina cristã revelada!

Se os espíritas são os verdadeiros cristãos, então as Igrejas universalmente denominadas cristãs -católica e protestantes- não seriam verdadeiramente cristãs...

O certo, em todo caso, é que o espiritismo e o cristianismo são completamente diferentes, qualquer semelhança ou coincidência em algum pequeno ponto é mera exceção.

O cristianismo é doutrina diretamente ensinada em vida por Jesus de Nazaré e transmitida também em vida por seus apóstolos. Jesus e seus apóstolos, com os milagres, provaram que Jesus era o Cristo prometido por Deus no Antigo Testamento. Os milagres confirmaram a revelação bíblica como de Deus.

O cristianismo em nada se baseia nas "revelações" dos espíritos.
"Se alguém, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anunciar um Evangelho diferente do que vos anunciamos, seja anátema", escrevia S. Paulo (Gl 1,6).

-- Acontece, porém, que com muitos médiuns espíritas, os "espíritos superiores" revelam (?) temas em plena consonância com a doutrina cristã, completamente incompatíveis com a doutrina do espiritismo, alto e baixo.

Tratar-se-ia de espíritos ainda mais altos, superiores aos do alto espiritismo, superiores aos mahatmas do teosofismo e até superiores aos orixás e outras divindades dos diversos tipos de espiritismo? Não. Simplesmente é prova manifesta de que tudo depende do inconsciente dos médiuns, do ambiente...

-- Baste citar aqui, entre muitíssimos exemplos, uma quadrinha psicografada por Chico Xavier:

Acha ele -e acham os espíritas- que é o espírito do falecido poeta popular brasileiro Antônio Nobre (o "Anto") que lhe dirige a mão na psicografia destes versos dedicados aos velhos abandonados:
"Ó figuras de velhinhos que andais dormitando ao léu!

Como são belos os linhos

Que vos esperam no Céu!"

Nesses quatro versos, destila-se ampla contradição fundamental com a doutrina espírita. Grande médium, grande poeta. Espíritos superiores. Se, porém, o sofrimento fosse castigo de vidas anteriores, os velhinhos abandonados não estariam muito desenvolvidos espiritualmente. Nem o próprio Chico Xavier, pois além de doente, levou desde a infância uma vida de sofrimentos. Nem o poeta do além seria espírito superior. Esperar-lhes-iam ainda muitas outras reencarnações, mas, não obstante, fala-se aqui de um nascer venturoso no além, sem pesado carma. Fala-se expressamente do céu.

A lógica (?) espírita deve optar entre a doutrina católica, que haveriia sido revelada aqui do além ao grande médium Chico Xavier, ou renegar da doutrina espírita...
Adorando o orixá da cachoeira.
"Espíritos" de coisas!
Aludi no artigo anterior ao que deveria ser -se não tivesse decaído -o puro espiritismo afro-brasileiro e o candomblé ortodoxo do Brasil.
Adorando o orixá da cachoeira.
Os espíritos comunicantes "jamais foram encarnados e não o serão jamais". Assim se pensava no início do espiritismo africano. Todas as coisas estão animadas, tudo tem alma. O espírito do trovão, do rio, do mar... O mesmo com as plantas. O mesmo com os animais. E as almas de todos os animais, vegetais e coisas eram pequenos (?!) deuses. Bons e maus. Orixás e exus.

&& Ao longo dos séculos os exus e orixás, os daímones e outras divindades do animismo primitivo foram cedendo passo à ciência e se transformando. As divindades subalternas que animavam todos os elementos da natureza experimentaram o duplo movimento de vaivém.
1º) O avanço da ciência suprimiu essas divindades das forças naturais.

E a "alta magia" aceitou esse progresso, começando a falar de elementais ou "espíritos dos elementos".

A antiga e "alta magia" dividia os elementais em quatro categorias: salamandras ou espíritos do fogo, silfos ou espíritos do ar, ondinas ou espíritos da água, gnomos ou espíritos da terra.

Pela palavra espíritos designavam algo sutil, invisível e de existência temporária; nada, absolutamente nada tendo de igual ou parecido com os espíritos dos mortos; nada, absolutamente nada tendo de espiritual. Só o nome.

2º) Aconteceu, porém, que os praticantes da magia e do ocultismo, assim como o povo, sem entender as teorias dos "mestres" voltaram a personificar os elementais. Não os converteram de novo em daímones ou orixás..., mas deram-lhes personalidade humana.

Esse antropomorfismo exotérico (externo) é completa deturpação dos conceitos esotéricos (internos ou ocultos). A maioria dos modernos teósofos, ocultistas, rosa-cruzes etc. cai nessa deturpação.

Os antigos magos hebreus também não evocavam os espíritos dos mortos, contra o que erradamente afirmam os "mestres" do espiritismo. Os magos hebreus evocavam Ob, que nada tem a ver com o espírito racional -neshamah-, nem com a alma (o que anima) sensitiva -ruah-, nem com a vegetativa -nephesh-.

O Ob dos hebreus designava praticamente a mesma coisa que a magia greco-romana chamava Manes. Os Manes também nada, absolutamente nada tinham a ver com os espíritos dos mortos, contra o que também erradamente entenderam os "mestres" do espiritismo.

Ob, Manes (e tantos outros nomes) não designam seres espirituais. Eqüivalem quase plenamente -prescindindo de detalhes em civilizações tão diferentes- ao conceito de elementais, conceito muito comum a muitas civilizações quando a reflexão no primeiro movimento do vaivém reagiu contra o animismo primitivo.

O conceito de elementais também nada tem a ver com os monumentais erros de perispírito, corpo astral, duplo etérico etc. considerados absurda e contraditoriamente envoltórios (?!) do espírito.

Bastem agora estas idéias gerais.
Esta mentalidade ignorante e primitiva, tendo degenerado mais ainda, prolifera em sincretismo com o espiritismo. Muitos povos ao longo da história, como ainda hoje povos "primitivos" (não só na África e no espiritismo latino-americano de origem africana...) conservam essa mentalidade.

-- Assim por exemplo, Maye se surpreendeu ao descobrir no moderno vudu haitiano que evocavam, além de mortos e deuses, os espíritos da locomotiva da localidade!

-- Entre os antigos Incas do Peru -e a doutrina se conserva- havia sacerdotes e virgens consagrados aos grandes deuses Sol, Lua, Estrelas...., e também os chamados Hecleloc, que incorporavam os deuses secundários e maus para fazer curas e adivinhações.

-- Na Patagônia, os epitéticos sempre foram considerados iguais aos sacerdotes e sacerdotisas em transe compulsivo, incorporados por divindades maléficas. Assim pretendem fazer curam e adivinhações.

-- A mesma coisa entre os índios carajás do Brasil.

-- Os batas, de Guiné espanhola, escolhiam seus sacerdotes -adivinhos, curandeiros- entre os loucos e seus filhos, respeitavam seus oráculos como de origem em diversas divindades.

-- Igualmente, os habitantes de Nias, ilha da Indonésia.

-- Para Kardec (no máximo do simplismo ou plena idiotice), todos esses deuses e espíritos são espíritos perversos de mortos. Seus oráculos, curas, adivinhações etc. são puros enganos mal-intencionados. Seus sacerdotes e sacerdotisas são médiuns de baixo calão.

O espírito dos animais! Tradicionalmente, desde épocas imemoriais até nossos dias, o povo chinês acredita que quando alguém, por crueldade ou libertinagem, mata um animal, o espírito (!?) da vítima incorpora-se ao agressor até a completa expiação da culpa. Dessa mentalidade surgiram práticas de desobsessão, doutrinamento, evocação dos espíritos dos animais mortos.

"Um homem e sua esposa, em Vang-Tcheu, tinham uma gata favorita, e esta gata deu à luz três gatinhos. Como a maioria de outros animais domésticos, esta família de felinos tinha suas tendências á rapina (gatunos!), e estava constantemente roubando diversos petiscos que uma jovem empregada reservava para si. No fim, a jovem ficou tão exasperada que matou gata e gatinhos, um após outros, em diferentes oportunidades".

"Em pouco tempo a moça foi afetada por violenta doença, miando e arranhando como um gato e apresentando todos os sintomas da raiva. Seus patrões, suspeitando a verdadeira (?!) causa dos ataques da jovem, exorcizaram a gata mãe, inquirindo por que tinha assombrado o corpo da jovem. A gata (?!), falando pela boca da jovem, relatou então os maus-tratos que recebera e contou o modo como foram mortos seus filhotes. Um afogado, outro despedaçado por um cachorro e o terceiro queimado vivo. Tudo isso foi dito pela própria jovem (é claro!), procedendo como uma gata, e depois caiu em convulsões aos pés da patroa" (prosopopéia e histeria).

Interrogada sobre este caso, respondeu outra revista especializada em assuntos da China: "Os chineses acreditam firmemente em histórias como a referida".

-- Camille Flammarion (colaborador de Allan Kardec) deixa transparecer toda essa mentalidade supersticiosa e profundamente ignorante de acreditar nos espíritos das coisas e dos animais, subjacente a tantos tipos de espiritismo. Pretendendo explicar as "casas mal-assombradas", escreve:

"Este primeiro conspecto nos patenteou uns tantos exemplos variados, extravagantes, inexplicáveis, pueris, de uma banalidade algo irritante (...). Que significação poderemos atribuir a esses efeitos incompreensíveis, cuja banalidade nos revolta? Eles revelam atos intencionais, idéias confusas, próprias de uma mentalidade inferior".

&& Em vez de assim detectar os fundos primitivos do inconsciente humano, responsável pelas chamadas "incorporações" (?!), sugere meio envergonhadamente:

"Neste nosso planeta não há exemplos de pensamentos sem cérebro. E no entanto, certos efeitos do raio deparam-se tão singulares que deixam a impressão de ocultos propósitos".

E em vez de detectar a sabedoria do Criador, de novo sugere o espírito das coisas e dos animais: "Por outro lado, as leis que regem o sistema planetário não derivam de um cérebro (...). Que é o instinto da galinha, que choca os ovos durante vinte dias para gerar os pintinhos?" E até o afirma despudoradamente: "Há espírito na natureza".

&& Tal e tão extremo golpe à unanimidade da revelação espírita, desferido pelo sucessor de Allan Kardec na presidência do espiritismo internacional...
Até as plantas teriam espíritos humanos e "espíritos" de animais! Duas orquídeas.
Nem anjos nem demônios. Dediquei um amplo livro, "Antes que os demônios voltem", a pôr luz nas dicussões teológicas e cientificas, que sempre houve, esparsas, e hoje são mais generalizadas. Aqui bastem estas idéias gerais: Os anjos de que se fala na Bíblia são simplesmente um modo respeitoso de se referir a Deus. Mas esta "suplência" ou artifício de linguagem não exclui -antes supõe -a existência de anjos.

Existem anjos rebeldes ou diabos? Apesar de o tema não ser propriamente bíblico ou parte da Revelação Divina, é uma verdade geralmente admitida por outros argumentos filosófico-teológicos. Há criaturas espirituais, unicamente espirituais, anjos. Se livres, alguns viriam a ser diabos (depois, erradamente, confundidos com demônios etc.).

Aceita-se a possibilidade de que milhares de místicos católicos, que ao longo dos séculos acreditaram estar em íntima comunicação com os anjos da guarda, projetassem e dramatizassem assim simplesmente seus sentimentos de união com Deus.

Citam-se milagres, falsos ou verdadeiros, dos anjos: seriam, nos falsos milagres, erros de interpretação de fenômenos parapsicológicos humanos; e nos verdadeiros, milagres de Deus.

Allan Kardec acreditando fundamentar-se nos "espíritos superiores" dos mortos, liquida a discussão: de Deus até o homem só existem espíritos de mortos.

Nisso os davinianos concordam com os Kardecistas. Escrevia Andrew Jackson Davis: "Há uma corrente que se estende do homem à Divindade. E uma corrente do homem em diversas etapas de progresso (...). Lembremo-nos de que todos os espíritos e anjos já foram homens".

A petulância de Allan Kardec chega ao máximo. Nem sequer conhece a vida dos santos, garante, porém:

Os anjos da guarda são espíritos guias, e os anjos em geral são espíritos bons de mortos, quando se comunicam com médiuns que apóiam a doutrina por ele codificada. Se não, mesmo os maiores santos são frívolos; e os anjos da guarda, tão benfazejos, na realidade são espíritos malignos de mortos!

& Por outro lado, negar a existência de seres espirituais que não foram homens rompe todos os limites da petulância. É pôr-se contra toda a filosofia, contra todas as religiões, contra toda a tradição judeu-cristã, e inclusive contra espíritas mais cultos, como por exemplo Oliver Lodge, que também defende a necessidade filosófica de que Deus haja criado seres plenamente espirituais, anjos.

E o próprio Deus. A Bíblia alude aos "terafim" (Gn 31,19; Jz 17,5; 1Sm 15,22. 19,13), ídolos domésticos, equivalentes aos deuses Penates dos romanos. Pelos movimentos inconscientes transmitidos à estatueta (paracinesia) serviam para adivinhações.

No Efó os sacerdotes levavam as "sortes sagradas" para adivinhações (1Sm 2,28; 14,18s.; 23,9s.; 30,8; Jz 17,5; 18,14s). Se por sorte saía a madeirinha chamada Urim significava sim; saindo o tummin seria não (Cf. 1Sm 14,41).

Inicialmente os hebreus acreditavam, com o beneplácito dos sacerdotes oficiais e levitas, que o próprio Deus dava respostas por intermédio dessas técnicas adivinhatórias.

&& Não corresponde à Bíblia ou à teologia a interpretação dos fatos do nosso mundo, mas transmitir e interpretar a doutrina sobrenatural, a Revelação Divina. Os antigos hebreus atribuíam a Deus esses fatos, hoje bem conhecidos e explicados pela parapsicologia. É certo que tudo provém de Deus, geralmente através das "causas segundas", mas aqui estamos falando da procedência direta, muito diferente, os milagres.

Na verdadeira doutrina bíblica, esssa prática supersticiosa era condenada. Possivelmente referindo-se também a instrumentos de adivinhação idênticos ou parecidos com os que hoje se chamam, respectivamente, "prancheta" ou "oui-já" (igual à "brincadeira do copo" etc.) e varinha do rabdomante, o profeta denunciava em nome de Deus: "Meu povo consulta o seu pedaço de madeira e o seu bastão faz-lhe revelações (...). Eles se prostituíram, afastando-se de seu Deus" (Os 4,12).

Manifestamente superstição dos hebreus primitivos. A partir da época davídica, essas práticas foram abandonadas. Eram fenômenos parapsicológicos, nada tendo a ver nem com manifestações de Deus.

-- Allan kardec, porém, e os demais líderes do espiritismo estão seguros de que os fenômenos atribuídos a Deus pelos hebreus deviam-se a espíritos de mortos. E espíritos maus, pois revelavam doutrina distinta de Allan Kardec!

Segundo Lombroso, eram "instrumentos aptos a estabelecer comunicações com o Além-túmulo".

De Vesme arrisca: "Provavelmente não eram mais do que instrumentos mediúnicos".
Igualmente consideram mediúnicos, devidos á intervenção dos espíritos dos mortos, diversos fenômenos parapsicológicos que alguns na Igreja Primitiva (com o mesmo erro dos carismáticos de hoje) consideravam carismas ou dons do Espírito Santo.

Conan Doyle, presidente da Federação Espírita Internacional, cita Sto. Irineu: "Ouvimos que muitos irmãos na Igreja possuem dons proféticos".
E Conan Doyle comenta: "Isto é, mediúnicos"!

Continua citando Sto. Irineu: "E falam, através do Espírito, diversas línguas e revelam, no interesse geral, coisas ocultas aos homens, explicando os mistérios de Deus".

Com a expressão "através do Espírito", evidentemente Sto. Irineu referia-se ao Divino Espírito Santo.

Conan Doyle, porém interpreta-a com referência ao espírito de algum morto. E acrescenta: "Nenhuma passagem poderia descrever melhor as funções de um médium de alta classe".
E agora, Allan Kardec? "De alta classe", apesar de serem sempre pessoas devotas e santas, ambiente e doutrina católica!

Pouco depois, os pretensos dons do Divino Espírito Santo (repito, salvo algum milagre, geralmente meros fenômenos parapsicológicos mal-interpretados) em pessoas devotamente seguidoras da doutrina católica, o "grande mestre" espírita Doyle ainda reiteradamente ensina que se trata de manifestações de espíritos de mortos:

"Quando Tertuliano teve a sua grande controvérsia com Márcio, tomou os dons mediúnicos para um teste da verdade. Nas Constituições Apostólicas estava discutindo esses dons ou variadas formas de mediunidade (...). Então como agora, a mediunidade tomava diversas formas, como o dom das línguas, de cura, de profecia e outros (...). Os vários dons, que em geral correspondem ás nossas diferentes formas de mediunidade".

&& Espíritos superiores e portanto com médiuns de alta classe segundo Conan Doyle, mas segundo Kardec e outros mestres do espiritismo, essas manifestações atribuídas a Deus seriam de "espíritos" baixos e médiuns frívolos! Até as pedras estariam com espírito humano e de animal. A esquerda se vislumbra o rosto de um homem. No meio "O cão sentado" e na frente do cão, embaixo, se vislumbra um macaco. Em Nova Friburgo (RJ).

Até as pedras estariam com espírito humano e de animal. A esquerda se vislumbra o rosto de um homem. No meio "O cão sentado" e na frente do cão, embaixo, se vislumbra um
macaco. Em Nova Friburgo (RJ).
É o próprio homem.
Orquídea Brava, uma chinesa residente nos Estados Unidos, teria travado uma desproporcionada luta para defender-se de um fantasma monstruoso, enorme, com três braços. A filha de Orquídea Brava escreveu, num livro bastante divulgado, as memórias da sua mãe na luta com os monstros do além.

Aquele fantasma era um entre inúmeros fantasmas aterradores nos quais a tradição chinesa acredita. É freqüente que vejam os espíritos dos mortos masculinos, com crista de galo; e os femininos com corpo de galo gigante e só a cabeça de mulher.

Para Orquídea Brava, como para multidão de chineses, os fantasmas terrificantes, "fantasmas do muro", monstros, são reais.

Qualquer pessoa, que não se tenha intelectualmente deformado nessa herança de séculos de superstição, compreende que tudo é simplesmente imaginação ou, em último caso, com base nos fenômenos parapsicológicos.

-- Da China e dos Estados Unidos pulamos para a África. Os lunda, os luvale, os ndembu de Zâmbia e muitos outros povos africanos explicam esses espíritos aterradores.

A população vive aterrada pelos feiticeiros -dizem os antropólogos-. É inútil evitar um feiticeiro, porque há muitíssimos. Pensam que os feiticeiros contam com a amizade de poderosos espíritos, capazes de causar doenças e mesmo matar quando e a quem o feiticeiro quiser; podem também curar, conceder riquezas... Se o feiticeiro não pedir morte para alguém, o espírito pode matar o próprio feiticeiro, porque precisa de sangue.

Mas se livrarmos essas crenças da ganga da superstição, veremos a verdade: "esses espíritos familiares são criados pelos feiticeiros a partir do sangue das suas vítimas". Deixemos de lado vítimas e sangue. "São criados pelos feiticeiros": São uma projeção da imaginação humana. É o próprio homem. Para o bem ou para o mal. Tanto os espíritos bons como os espíritos maus.

O Teosofismo concorda. . H. P. Blavatski começa por referir-se aos íncubos e súcubos da mentalidade medieval. São "evocados das regiões invisíveis pela paixão e a concupiscência humanas". Identifica-os com espíritos sensuais e obscenos (como a "Pomba-Gira", por exemplo, na Umbanda) que certos médiuns pensam incorporar.
"Na realidade são 'gules', 'vampiros', elementos sem alma, centros informes de vida, desprovidos de sentido. Numa palavra: protoplasmas subjetivos quando os deixam tranqüilos, mas que atuam como seres inteligentes e maus quando evocados pela criadora e enfermiça imaginação de um mago ou de uma bruxa".--

-- O Teosofismo é drasticamente contra a interpretação espírita.

"Pergunta: não acreditais no espiritismo?"
"Teósofo: se por espiritismo entendeis a explicação que os espíritas dão de alguns fenômenos incomuns, declaramos decididamente que neste caso não. Afirmam que (...) são produzidos pelos espíritos dos mortos (...), que voltam à Terra, segundo dizem, para se comunicar (...). Rejeitamos completamente esse ponto. Afirmamos que os espíritos dos mortos não podem voltar à Terra. (...). Nem se comunicam com os homens. Casos raros e excepcionais (são interpretados) de modo inteiramente subjetivo".

O verdadeiro sentido do termo subjetivo é: originado e existente no interior da pessoa, isto é, não provém de fora nem existe fora da invencionice humana.

Com respeito à "alta revelação", que HPB diz haver recebido, é evidente que há uma grande contradição.

Como vimos afirma que recebeu toda a doutrina por revelação de espíritos tibetanos, os mahatmas.

Mas agora também afirma categoricamente que a comunicação dos espíritos é subjetiva. Não pode, portanto, ser objetiva e menos ter toda a freqüência que seria necessária para que HPB pudesse receber a abundantíssima, repetitiva e enfadonha doutrina do Teosofismo.

Também o Ocultismo contra o Espiritismo. Aquela mais ou menos velada descrição dos "gules" ou "elementos sem alma", "centros informes" etc. corresponde aos "elementares", "cascões", "larvas" etc. do "mundo astral", segundo várias correntes do Ocultismo.

O "grande mestre" dos ocultistas, Papus, garantia: "Aquilo que o espírita chama um espírito, o ocultista chama um elementar, uma casca astral".

Os elementares "flutuam ao redor da Terra no mundo invisível, enquanto os princípios superiores (o homem, o espírito principalmente) evoluem em outro plano (...). Não é o espírito que vem a uma sessão, é o elementar da pessoa evocada, isto é algo que o defunto não possui, senão os (baixos) instintos e a memória das coisas terrestres".

"O ocultismo -acrescenta Papus- admite como absolutamente reais todos os fenômenos do espiritismo. Mas (...) os atribui a uma multidão de outras influências em ação no mundo invisível".

"O ser humano cinde-se em vários elementos depois da morte, e aquilo que se comunica (ou que se capta nas sessões espíritas) não é o ser todo inteiro (nem o espírito do morto), senão um resto do ser, uma casca astral". O que acontece é que "a ciência oculta é demasiado difícil para ser compreendida e demasiado complicada para os leitores habituais dos livros espíritas".

-- Mais recentemente as mesmas idéias foram esposadas por certas personalidades que chegaram a fazer-se famosas. Podemos chamá-las neo-ocultistas ou neo-hermetistas, ou aprendizes de magos em busca de se tornar super-homens: destacadamente Gurdjeff e Kremmerrz.

&& Partem da premissa errada, positivista, de que não seria possível a sobrevivência do espírito e da consciência pessoal:

-- Após a morte, pairariam no ar unicamente alguns elementos do composto humano, resíduos e conglomerados, muito diferentes do espírito, a alma humana individual. Esses "cascões astrais" é que seriam evocados pelos magos e pelos espíritas de todos os níveis. Essas "larvas" é que se reencarnariam.

"Se os espíritas soubessem realmente quem são os seres que obedecem ao seu chamado, talvez morressem de espanto", dizia o iniciado (e romancista) Gustav Meyrink. É que no "mundo astral", além dos horríveis "cascões", "larvas", "elementares", resíduos em decomposição após a morte do homem, também estão lá as "formas pensamento": cada pensamento humano originaria no "mundo astral" um "eco" subsistente.

-- Explica o ocultista Laedbeater: Cascões dos mortos e formas pensamento dos vivos alimentam-se pelas vibrações. O plano astral em esoterismo significa não um lugar do espaço, mas uma condição ou estado de vibração. Chama-se também mundo do desejo, precisamente porque constituído e alimentado pelas vibrações dos pensamentos, sentimentos e imaginações do homem. A maior vibração depende da maior paixão. Isso é que seriam os chamados espíritos bons e maus. Mas é sabido que lamentavelmente na humanidade abundam mais os pensamentos inconfessáveis...

-- É preciso lembrar que nada menos que o conhecido filósofo inglês Broad, além disso bom conhecedor da fenomenologia parapsicológica, inicialmente inclinou-se à interpretação ocultista tomada ao pé da letra -sem ocultismo-. Ao menos como uma teoria possível, por ser imensamente menos inverossímil do que a hipótese espírita. Todos e cada um desses resíduos seriam meros reservatórios de memória, depósitos captados pelos médiuns espíritas.

O próprio Broad reconhece, porém, que a descoberta da telepatia inutilizou não só a intervenção dos espíritos dos mortos, mas também todo esse arrazoado de resíduos amnésicos...
Representação hindu, datada no século II antes de Cristo: A árvore divinizada.
A Revelação do Ocultismo - Segundo todas as outras correntes do ocultismo divergentes do espiritismo, sem ocultismo, sem ocultar a verdade, no fundo dessas expressões de cascões, elementares, formas, mundo astral, resíduos mnésicos etc., se está afirmando que as revelações espíritoides procedem do inconsciente humano.

Desmascarando as expressões que ocultam o verdadeiro significado, o ocultismo em grande parte coincidiria com a parapsicologia. A explicação ocultista e a explicação científica da parapsicologia (e antes, do magnetismo e hipnotismo a respeito de alguns fenômenos) freqüentemente seria a mesma. A parapsicologia -dá a entender o prestigioso parapsicólogo Robert Amadou- diferencia-se do ocultismo porque não encobre a realidade, "não aceita relações ocultas".

Um exemplo: Elifas Levi. É sem dúvida nos tempos modernos um dos maiores representantes ou "mestres" do ocultismo e nenhum mago contemporâneo pode prescindir dele...

Elifas Leví descreve a evocação que ele mesmo fez de um espírito superior, nada menos que o de Apolônio de Tiana, talvez o maior mago dos tempos antigos.

&& Mas Elifas Levi sabe que na realidade não se trata de manifestação do espírito de Apolônio nem de nenhum outro espírito. É, única e limpamente, manifestação de forças do inconsciente do próprio Levi, "embebedamento da imaginação", como ele diz expressamente.

Elifas Levi era formalmente anti-espírita e anti-reencarnacionista. Ás vezes dizia ser a reencarnação de Rabelais, mas por pura brincadeira. Escreve a respeito René Guénon: "Tivemos sobre este ponto o testemunho de quem o conheceu pessoalmente, e que, sendo reencarnacionista, de nenhuma maneira pode ser suspeito de parcialidade".

Muitos ocultistas posteriores, precisamente por influxo do espiritismo, aceitaram a reencarnação...., mas excepcionalmente! Se alguns espíritos reencarnassem, seria por um privilégio extraordinário, muito tempo depois da morte, para uma missão, muito especial, e eles conservariam a lembrança plena de tudo o que aprenderam e da própria vida anterior.

Em geral, pela total diferença de critérios na elaboração da doutrina, os ocultistas têm o maior desprezo pelo espiritismo.

"A gosto do Consumidor". Acreditando todos os espíritas na comunicação de espíritos -que espíritos?-, só em uma coisa poderiam estar de acordo todos os espíritas do mundo: em que os espíritos superiores não estão de acordo em nada.

A enorme diversidade das doutrinas pretensamente reveladas pelos espíritos mostra irrefutavelmente que não se trata de revelações dos espíritos dos mortos. São efeito da diversidade de tendências e ambientes deste mundo. Não é admissível que no além os espíritos dos mortos, ao menos os espíritos superiores continuem com a total inexperiência e desconhecimento direto que neste mundo há das verdades do além.
A diversidade das doutrinas espíritas condena o espiritismo.

-- Escreve um "mestre" espírita brasileiro de hoje, Herminio C. Miranda: "Tudo (...), o estritamente doutrinário, (...) está contido na doutrina espírita ordenada por Allan Kardec (...). Todo pesquisador sério e bem-intencionado que se dispuser a estudar os fenômenos psíquicos chegará às mesmas conclusões contidas nas obras básicas do espiritismo (...). É fato irrefutável que as linhas mestras das conclusões conferem e coincidem nitidamente, qualquer que seja o experimentador, desde que intrinsecamente honesto diante daquilo que observa e relata".

&& Só uma mente completamente minada pelo próprio espiritismo pode acreditar na total imbecilidade de que no espiritismo "as linhas mestras (...) conferem e coincidem nitidamente"! Os espíritas que me perdoem: a respeito da doutrina dos espíritos superiores não posso evitar lembrar-me da frase irônica de Oliver Herford: "Os pensamentos de uma mulher são mais limpos que os dos homens: mudam-nos continuamente".

O mesmo Kardec sabia que existia, previa que continuaria e temia a enorme diversidade doutrinal. Há muitas frases como esta do seu "Projeto" (1868): "Um dos maiores obstáculos da propagação da doutrina é a falta de unidade".

-- E por isso instituía, como de capital importância, um chefe com plena autoridade, uma Comissão Central também de plena autoridade.

&& Mas como poderia haver uma autoridade capaz de dirimir as diversidades quando se trata precisamente de seguir revelações de espíritos superiores? Acaso os espíritos superiores estão de acordo em alguma coisa?

-- Allan kardec deixou escrito... perdão: os espíritos superiores -superiores a que outros?- revelaram: "Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus espíritos jamais ousassem uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que (...) tem sido o menos enganado".

Todos, portanto, estão enganados.

Conclusão - Retomo as palavras do início do artigo anterior. Ou Allan Kardec -e pode-se aplicar a cada chefe de cada ramo do espiritismo- foi o maior gênio da humanidade, ou então sua petulância raiou a extrema loucura. Certamente não foi o maior gênio da humanidade...

Há outros motivos, mas ao menos pelos motivos citados nestes dois últimos artigos, é justo concordar com Daniel Dunglas Home: "Sabe-se que Allan Kardec não foi médium. Ele nada fazia senão magnetizar ou psicologizar pessoas mais impressionáveis do que ele".

E Daniel Dunglas Home (que terminaria por rejeitar plenamente o espiritismo) foi considerado pela maioria dos "mestres" do alto espiritismo, kardecistas e davinianos, latinos e anglo-saxões, como o maior médium de todos os tempos!

Menos por Kardec, "seu inimigo íntimo". Não é de hoje que se interpretam estas últimas palavras --mais uma, entre muitas, das investidas que Home lançou contra Kardec-- no sentido de que os médiuns foram dirigidos, influenciados por Allan Kardec "a traduzirem seu próprio pensamento e não a captarem mensagens do além".

Tratando-se de uma revelação única, como a revelação judeu-cristã da Bíblia e da Tradição, pode surgir muita diversidade de interpretações em cada uma das suas partes. Todos os exegetas, porém, evidentemente estão de acordo em que a verdade revelada por trás de cada texto difícil é uma só, e procuram alcançar o sentido verdadeiro das palavras, a verdade única de cada parte da Revelação. É uma Revelação Divina. Os homens, porém nem sempre a interpretam corretamente, daí a separação dos judeus e a diversidade das denominações cristãs.

Não é assim no espiritismo. As palavras "reveladas" pelos "espíritos superiores" freqüentemente estão claras, claríssimas. Não se trata de diversidades interpretações da "revelação espírita", trata-se clarissimamente de diversidade de pretensas revelações.

É necessário que as verdades do além nos sejam reveladas do além. Evidente. Mas o único modo de sabermos que uma doutrina, digna e lógica, é revelada por um "Espírito Superior", é procurar o milagre confirmativo. Em vários livros e muitos artigos exponho que Deus (Pai, por Moisés e os profetas; Filho em Cristo e pelos Apóstolos, e Espírito Santo o dia de Pentecostes) provou pelos milagres que era realmente o Espírito Supremo vindo para revelar a verdadeira Doutrina. Só pelos milagres pode ser válida a afirmação de que Sua Doutrina é verdadeira, e todas as outras, em tanto quanto se afastarem da dEle, originadas em falsos profetas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Lição da discordância radical. Gênio ou Insensato?

Allan Kardec afirma -e os "mestres" do espiritismo repetem- que o espiritismo é a doutrina revelada unanimemente em todo o mundo pelos espíritos superiores. Allan Kardec garante que soube identificar os espíritos superiores. Ele codificou a doutrina, revelada unicamente por eles.

Com essa revelação "os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal chegaram". A doutrina dos espíritos não é de concepção humana. Ela foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam (...). Milhares de médiuns disseminados por todas as partes do globo, que jamais se viram (...), dizem a mesma coisa".
Os "mestres" do Espiritismo, e os espíritas em geral, nem suspeitam quantos "sapos e cobras" podem sair de uma cabeça em transe, desligada da realidade, em estado alterado de consciência, imaginando que é um morto!
Ou Allan Kardec foi -por mérito próprio ou por inspiração e missão dos espíritos superiores- a pessoa de maior cultura geral, o maior sábio, o maior gênio que já passou pela Terra, ou então Kardec e os mestres do espiritismo como sendo a doutrina unânime, revelada pelos espíritos superiores, e que substitui todas as outras revelações (pretensas ou reais), são os maiores insensatos.

Prescindamos dos "detalhes"

Não há nada nem de muito longe parecido com doutrina única, doutrina unânime, revelação concordante e universal. Nunca acabaria se pretendesse enumerar as diferenças e contradições em aspectos particulares da suposta revelação espírita Kardecista.

Muitas contradições apareceram e aparecerão em outros artigos. A "revelação espírita" está em estrita dependência do médium. Igualmente os médiuns dependem do seu ambiente.
Agora só vamos analisar as grandes linhas, as fundamentais, do espiritismo universal...

Que "espíritos superiores"?
"O livro dos médiuns"


-- Kardec garante que a codificação espírita, além de ditada unicamente por espíritos superiores, posteriormente, na edição definitiva," os espíritos a corrigiam, com particular cuidado. Como reviram tudo, aprovando-a, ou modificando-a à sua vontade, pode-se dizer que ela é, em grande parte, obra deles, porquanto a intervenção que tiveram não se limitou aos artigos assinados".

A mesma idéia repete-se constantemente em todos os livros de Kardec.
-- Da mesma pretensão de que recebia a doutrina unicamente dos espíritos superiores estava convencido Andrew Jackson Davis, o codificador seguido pela maioria dos espíritas anglo-saxões. Conan Doyle, na qualidade de presidente da Federação Internacional de Espiritismo, haverá de qualificá-lo como o terceiro maior profeta depois de Cristo!

O segundo maior profeta seriam as irmãs Fox. Davis muito por cima de Kardec...
-- Logo depois dos primeiros escritos de Allan Kardec, na própria França, D'Orino publica seu "La génese de l'ame", e na Itália Umberto Natalini publica o seu "Gli spiriti e il loro mondo".

Os três pretendem haver identificado os espíritos superiores. Suas doutrinas, porém, divergem plenamente em pontos fundamentais. Não é, pois, revelação unânime ou não são espíritos superiores. São três "revelações" divergentes e mesmo opostas. Quem dos três é o gênio, quais dos três, os petulantes?

Depois de Kardec, na própria França, o próprio P.G. Leymarie, que era um dos discípulos prediletos e mais afeiçoado a Allan Kardec, no prólogo às "Obras póstumas" do próprio Kardec, escrevia:

Mas o espiritismo de Davis é completamente diferente do espiritismo de Kardec.
-- E na época de Davis, quando se iniciava o espiritismo, poucos anos antes de Kardec, surgiam com também inumeráveis seguidores, inclusive entre sábios e pessoas cultas, outros mestres espíritas. E todos convictos de que souberam muito bem identificar os espíritos superiores e só por eles estarem sendo guiados.
&& Com doutrinas diametralmente diferentes (algumas diferenças fundamentais veremos logo mais).

Assim J. T. Mahan, de Ohio, é não só simples codificador, mas também o mais destacado médium! "Ele deu mostras de uma visão mental maravilhosa e criou um (novo) sistema científico tanto físico como intelectual", segundo seus discípulos.

-- Precisamente quando Kardec se iniciava no espiritismo, os mais "sublimes espíritos" ditavam vários livros, que arrastaram multidões de norte-americanos, a Charles Linton. Ele era médium psicógrafo, não só simples codificador. Sua principal obra apresentava-se como "a salvação das nações".

-- "No Congresso Espírita de 1890, os estudos sucessivos puseram em relevo questões novas e, de acordo com o ensino preconizado por Kardec, alguns dos princípios do espiritismo em que o mestre baseava o ensino deviam pôr-se de acordo com a ciência em geral".

&& Conclusão: Desde o início e na atualidade, a diversidade de "revelações" espíritas mostra total anarquia dos "espíritos superiores"! Ainda há, principalmente no Brasil, espíritas que se gabam de ser seguidores da codificação de Allan Kardec. Mas Kardec já foi abandonado na França.

Pelo influxo e interesse de Kardec, o espiritismo chegou naquela época a alcançar um certo número de seguidores na Espanha. Principalmente em Barcelona, onde houve inclusive o citado Congresso Internacional de Espiritismo. Mas posteriormente o Kardecismo foi declinando na Espanha até praticamente desaparecer.

Depois da época de Franco, e aproveitando os ares de liberdade na Espanha, a escola Científica Basílio, originária da Argentina, esforçou-se por reanimar o espiritismo, e alcançou registro no ministério do interior.

Essa "escola" é muitíssimo diferente do Kardecismo. A partir do fato de acreditar que sua doutrina é revelada só e nada menos que pelo espírito de Jesus Cristo! Todos os demais espíritos que se comunicam nas sessões de outras denominações espíritas são, para os basílios, incomparavelmente inferiores, e por isso mesmo devem ser rejeitados...

-- Depois o mestre espírita kardecista Rafael González Molina, retornando do Brasil, fundou em Madri o centro de Estudos e Difusão do espiritismo. Trata-se de um espiritismo tipicamente brasileiro, mistura de várias tendências, embora se autodenomine Kardecista. Molina pretende, sem nenhum êxito, unificar todos os espíritas espanhóis. Como dizia a escritora María Luisa Morales: "Se somos duzentos espíritas em Madri, há duzentas versões de espiritismo".

&& Todos convictos de identificar e seguir as revelações dos espíritos superiores!
-- No resto do mundo, e mesmo no Brasil -"Coração do mundo e pátria do evangelho" espírita (!?)-, uma multidão de pessoas seguem muitas outras "revelações" dos "espíritos superiores".

&& Há alguma parte da doutrina que possa ser considerada unânime para os "espíritos superiores"? Entre tantos codificadores, quem é o maior gênio? (ou o mais insensato petulante?)

Concretizemos algumas línhas mestras:

Religião, culto, clero...

-- Allan Kardec, em nome dos "espíritos superiores" nas "Obras Póstumas", opunha-se que o espiritismo pudesse ser considerado religião.

-- A maioria dos espíritas brasileiros, porém, seguindo seus "espíritos guias" e seus mestres, consideram o espiritismo e a ele aderem como religião.

-- E a mesma divisão há em muitas outras nações.

-- Kardec repudiava templos, clero, rituais... Mas em 1919, por exemplo, já surgia o caodaísmo. O sulvietnamitã Ngo-van-Chien, desde 1902, durante seus estudos na França, fora seguidor de Kardec. Em numerosas sessões e com numerosos médiuns, os "espíritos superiores" sob o comando de Cao-Daí (que significa "Palácio Supremo", e daí o nome de caodaísmo) estabeleceram toda uma organização de uma religião espírita, onde o Kardecismo e o budismo se misturam e que pretende unir todas as regiões.

-- Mas adiante, um nobre convertido ao cadaísmo, Le-Van-Trung, foi eleito papa dessa religião; mas Ngo-van-Chien, seguido as "revelações" do Supremo Espírito Cao-Daí, foi nomeado papa de um outro ramo dessa religião.

Victor Hugo é muito considerado pelos espíritas kardecistas, mas ele foi o primeiro profeta e o primeiro santo canonizado do caodaísmo. Numerosos mandatários do Vietña do Sul e numerosos bispos do caodaísmo ao longo dos anos apresentaram-se como reencarnações do grande poeta francês. Entre eles, o bispo caodaista que oficiou a inauguração da catedral de Apnomh-Phen, em 22 de maio de 1922, foi apresentado oficialmente -"revelado" pelos "espíritos superiores"!- como reencarnação de Victor Hugo.

Grande número dos bispos caodaístas formaram-se na França. Na França, na mesma terra onde nasceu o Kardecismo, está muito desenvolvida esta nova religião.
&& Assim querem e revelam os "espíritos superiores"!?

Nem sobre reencarnação (e comunicação!)

Para Allan Kardec, em "O livro dos espíritos" a reencarnação apresenta-se como um dogma (sic). Fundamental.

&& Pois bem, nem sequer neste "dogma fundamental" a revelação (?) dos "espíritos superiores" tem unanimidade.

É sabido que os espíritos mais cultos, os anglo-saxões (EUA, Irlanda, Holanda, Alemanha, Inglaterra etc.) -ou os "espíritos superiores" que se manifestam nesses países!-, tradicionalmente se mostram até ferrenhos adversários da reencarnação. São chamados davinianos porque Andrew Jackson Davis é para eles o que é Kardec para muitos dos espíritas latinos.

E mais do que Kardec, porque Davis não só codificou toda a doutrina, mas também, como "médium extraordinário", a teria recebido diretamente dos espíritos. E pelos espíritos que ele incorporava teria sido corrigido o que procedia de outros médiuns. Kardec nunca foi médium. Ainda mais: Davis teria sido arrebatado repetidas vezes para vasculhar todas as "moradas espirituais".

&& Embora muito bem recebidos pelos "entusiastas" do espiritismo e traduzidos em várias línguas, evidentemente os trinta enormes livros de Davis não são inteiramente lidos pela maioria dos seus seguidores. E para os não-entusiastas pelo espiritismo, são tremendamente enfadonhos, absurdos... J. L. Moore compilou o principal.

Davis e seus espíritos superiores, os mais altos de todo o mundo espiritual, negam rotundamente a reencarnação: "Há uma corrente de homens em diversas etapas de progresso (sem reencarnação; progresso no além) (...). Lembremo-nos de que todos os espíritos e anjos já foram homens, viveram em organizações físicas como vivemos e faleceram como falecemos, antes de partirem para seu lar espiritual".

Os anjos seriam os espíritos dos homens heróicos na virtude (os santos).
E sem reencarnação, no além, continuam afastando-se cada vez mais da Terra, diminuindo cada vez mais a possibilidade de comunicação, subindo cada vez mais evolutivamente até incorporar-se em Deus (absurdo panteísmo!).

Assim o espírito de Raymond o afirma e o repete freqüentemente a seu pai, Sir Oliver Lodge, que foi prestigiado mestre do espiritismo anglo-saxão.

Os mais sublimes "espíritos superiores", que na realidade já seriam parte de Deus (mais do que panteísmo, ateísmo: Deus com partes!!) teriam comunicado a Davis: "Estamos nEle e com Ele, como o trono, o galho, os ramos, as folhas, os botões, as flores e as frutas de uma árvore (...). A Grande Essência Germinal da Árvore Universal se desenvolve, e forma (...) conjuntos que perfumam e adornam o Todo Estupendo".

-- Segundo os kardecistas, todos os espíritos, mesmo os mais antigos, podem ser evocados, e de fato freqüentemente os mais antigos personagens da humanidade comunicariam mensagens (apesar da reencarnação; esqueceram de reencarnar?: pode haver maior desastrosa contradição?).

Para os davinianos, porém, é absolutamente impossível que espíritos de pessoas que hajam vivido na Terra há muitos anos possam vir para se comunicar. E muito menos para se reencarnar. Para os anglo-saxões, o recorde em antigüidade de espírito comunicante haveria sido estabelecido pelo espírito do capelão de Cromwell, que se haveria comunicado no fim do século XIX, Completa diferença em ambos os pontos fundamentais.

Em 1961 -para citar um só documento-, reuniram-se membros de 32 federações nacionais num Congresso organizado pela "International Spiritualist Federation", de Londres. São federações nacionais unicamente do considerado alto espiritismo. Não se aceitam federações nacionais de animismo, fetichismo... da África; candomblé, macumba... do Brasil; vudu e santeria da América central etc... As federações participantes no Congresso eram exclusivamente da Europa e da América do Sul, onde o "dogma" kardecista é mais difundido. Apesar de tudo, a divergência da revelação (?) a respeito da reencarnação apareceu manifesta: sete das 32 federações nacionais não consideravam a doutrina da reencarnação como formando parte da doutrina espírita, e outras três federações votaram em branco. 90%, ou 28 das 32 federações, consideravam que a reencarnação tanto poderia ser considerada regra como exceção.

Diferenças entre reencarnacionistas (e nas possessões)

Mesmo os espíritas que professam a doutrina da reencarnação a entendem muito diferentemente.

Para os kardecistas, a reencarnação é só de espíritos humanos e em corpos humanos, e é sempre progressiva.

Para o conceito da maioria dos outros espíritas reencarnacionistas, o termo mais adequado seria metempsicose, pois a série de reencarnações começaria com o mineral, depois no vegetal, e só por fim continuaria seu interminável processo no corpo humano. Poderia ser também regressiva. É por isso que procuram abster-se de comer animais e mesmo plantas, procurando alimentar-se só com os frutos destas e com leite ou com animais acidentalmente mortos, para não serem culpáveis de interferências na lei do carma.

-- Segundo Kardec, em "O livro dos espíritos" nenhum espírito diferente do reencarnado na concepção pode incorporar-se depois no mesmo corpo. Isto é para os kardecistas (e nisto estão acertados) não existe possessão ou incorporação.

A maioria dos espíritas anglo-saxões, porém, tradicionalmente seguem uma revelação (?) diametralmente contrária. Por exemplo, Wickland, considerado por Conan Doyle (presidente da Federação Espírita Internacional) como o melhor e mais experimentado conhecedor dos "Invisíveis". Wickland escreve: "A crença na reencarnação na Terra é falaz e impede o progresso às mais altas esferas espirituais depois da morte. Foi freqüentemente declarado pelos espíritos superiores que numerosos casos de obsessão (não confundir obsessão com incorporação ou possessão) que vieram pôr-se sob nosso cuidado deveram-se a espíritos que, ansiando por 'reencarnar' em crianças, ficaram presos nas suas auras magnéticas causando grande sofrimento às vezes às suas vítimas e a si mesmos".

Nem sequer sobre a existência de Deus!
(Nem sobre o espírito)


Já no Congresso Internacional do Espiritismo celebrado em Paris em 1889 oficializava-se esta discrepância nas revelações (?) dos "espíritos superiores".

Havia naquele congresso representantes de Federações Nacionais de espíritas positivistas e futuristas. Intitulando-se kardecistas, estes espíritas franceses aceitavam com Kardec a reencarnação, mas afirmando que, em nome da verdadeira revelação dos espíritos superiores, negavam não só a Divina Providência -como Kardec, que deixa toda a providência aos espíritos-, senão também -contra Kardec- a própria existência de Deus.
E por todos eles o Congresso rejeitou que a existência de Deus fizesse parte da doutrina espírita.

Estavam ali -e há difundidos por todo o mundo- os espíritas panteístas: todas as criaturas identificam-se com o Criador, tudo é Deus.

&& E portanto para eles não existiria Deus pessoal: rejeitam a existência de Deus, a revelação divina etc.

Alguns anos mais tarde, em 1926, a Federação Espírita Internacional, em "fraterno apelo aos irmãos da América Latina", influenciados pelo Catolicismo reinante, pedia que não considerassem Deus como um Ser Pessoal, Onisciente e Onipotente, porque "a doutrina espírita deve difundir o conceito da divindade como princípio abstrato ou termo genérico que possa convir a todas as formas de conceber a divindade".

&& Pior ainda: dentro do espiritismo, dentro dos seguidores de pretensas revelações de espíritos superiores, além da negação da reencarnação e mesmo da imortalidade, também cabe aqui o ateísmo. Entre tantos exemplos, merece destaque por sua difusão e rigor auto-afirmado científico (?), o espiritismo mais prestigiado na Holanda. Os pesquisadores rodeiam-se de aparelhagens impressionantes. Fundaram a "psicologia física", são homens de ciência... Conforme a doutrina deste tipo de alto espiritismo, há mensagens como as seguintes:

"No mundo dos espíritos (...), em média os espíritos vivem de 100 a 150 anos. A densidade do seu corpo aumenta até a idade de 100 anos; depois a densidade e a força diminuem e enfim eles se dissolvem, como tudo se dissolve na natureza (...). Nós (os espíritos dos mortos) estamos submetidos às leis da pressão do ar; somos matéria (...), não nos interessamos mais, desvanecemos-nos: tudo o que é matéria está submetido ás leis da matéria: a matéria se decompõe; nossa vida não dura mais de 150 anos no máximo, quando morremos para sempre".

Pode haver espíritos de mortos pouco desenvolvidos que ainda acreditam em Deus, mas, unanimemente "os espíritos mais inteligentes protestam positivamente contra a idéia de Deus".

Concordes só na discordância

De nada adiantariam os esforços dos espíritas durante muitos anos, para encontrar algum denominador comum na doutrina espírita. Sucediam-se os Congressos Internacionais de Espiritismo, de "alto espiritismo", só dos que seguem as doutrinas dos "espíritos superiores", só dos espíritas da culta Europa e dos avançados Estados Unidos, da América Latina só os kardecistas. Mas não chegaram a nenhuma conclusão. Nenhum ponto unitário: Barcelona 1888, Paris 1890, Genebra 1913, Liège 1923, Paris 1925, Londres 1929, Barcelona 1934...

&& A única conclusão possível foi que a pretensa revelação unânime dos espíritos superiores nada tinha de unânime. Eram diversíssimas revelações (?). Total anarquia. De acordo com o gosto das diversas nações, dos diversos grupos, até de cada médium...
Não há doutrina espírita nem nos pontos mais importantes. E nunca se acabaria de relacionar a espantosa diversidade de revelações (?) dos espíritos superiores, aceitas pelos seguidores do "alto" espiritismo em temas de menor (?) importância. Trata-se de acúmulo de doutrinas, diferentes, divergentes, contrárias contraditórias... Não pode haver codificação, síntese, resumo... da doutrina espírita.

Por outra parte, todos os espíritas invocam e destacam a tarefa dos seus "controles" (terminologia preferida pelos espíritas davinianos) ou dos seus "espíritos guias" (terminologia preferida pelos espíritas kardecistas), que seriam os mais altos espíritos superiores. Perante tão completa diversidade em todos os pontos, só caberia concluir que os tais controles ou guias não valem absolutamente para nada... (ou, indo mais à raiz, nada procede dos espíritos superiores).

Revelações dos espíritos dos mortos? Várias e incompatíveis codificações...

E O "BAIXO" ESPIRITISMO?

Qual é o baixo e qual é o alto? Quem estabeleceu a diferença e apresentou o "altímetro" e demonstrou sua validez para a classificação de "alto" ou "baixo"?
Revelações dos espíritos dos mortos? Várias e incompatíveis codificações...
Antes, fora e depois dos dois grupos mais conhecidos de espiritismo: kardecista e daviniano (anglo-saxão), que se consideram alto espiritismo, houve e há outros tipos de espiritismo.

Na Argentina, o espiritismo mais alto é representado pela Escola Científica Basílio com muito mais seguidores naquele pais do que o kardecismo, ao qual desprezam plenamente. Outros grupos espíritas são o Constanza e os Trincadistas (seguidores de Joaquim Trincado). Acham-se mais altos que os basílios e muito mais altos que os kardecistas, considerados antiquados. Etc.

O chamado Baixo Espiritismo. Especialmente todos os tipos de espiritismo procedentes da África, com origem antiquíssima, estão re-ligados (re-ligião) a algum tipo de divindade. É o primitivo animismo que considerava animadas as forças da natureza. Essas almas das forças e de todos os seres da natureza, diferentes do homem, foram divinizadas por parecerem superiores a ele.
Primitiva, falsa, mas religião.

No Mundo Greco-Romano. Parecia que a cultura já tinha deslocado a superstição que via deuses em todas as coisas.

Mas, não obstante, os grandes elementos da natureza continuavam a ser considerados como dotados de alma. Melhor: eram considerados deuses.

Por exemplo o Sol e os planetas e satélites: Mercúrio, Marte, Vênus, a Lua, todos eram deuses cujo chefe supremo, ou pai de todos os deuses, era Júpiter. E a Terra, os ventos, e o mar (Netuno), também eram deuses. Junto aos grandes deuses do Olimpo, havia também culto e consultas aos deuses familiares: Penates ou Lares.

&& Também entre os clássicos junto a este verdadeiramente "alto" espiritismo misturou-se o verdadeiramente "baixo" espiritismo ou ocultismo, ou magia, de evocação e manifestações de seres inferiores.

Paralela, escassa, mas havia. Principalmente cerimônias para espantar os elementais - logo falarei deles-: terrificantes ou lêmures, e estúpidos ou larvas.

A religião, a literatura, a vida, e mesmo o governo contavam com a intervenção e consulta aos numerosíssimos deuses. O panteão greco-romano é bem conhecido. Havia deuses em tudo e para tudo. Dos seus templos, dos seus oráculos, dos livros sibilinos "inspirados" por seus deuses, os gregos e romanos recebiam a doutrina, os conselhos, o prenúncio do futuro.
&& Grécia e Roma! As duas civilizações que mais maravilharam e influenciaram a história humana (por isso se fala em "clássicos" e cultura humanística").

Mitologia e erro na interpretação da natureza. Erro também na interpretação dos fenômenos parapsicológicos. Mas, por outro lado, a religião pagã era um maravilhoso monumento levantado pelo homem. Religião abraçada pelas pessoas mais sábias e oficiada pelos sacerdotes mais dignos, apesar das falhas inevitáveis no homem.

Mas enormemente mais alto que todos os diversos ramos do "alto" espiritismo moderno.
-- As divindades subalternas ou divindades da natureza foram chamadas na antiga cultura grega daimones, demônios. Por exemplo, Platão fala das intervenções dos daímones bons (agato-daímones, que correspondem aos orixás) e dos daímones malignos ou ao menos que fazem ou causam males (caco-daímones, que correspondem aos exús).

Toda a escola neoplatônica de Alexandria dos primeiros séculos depois de Cristo praticava a comunicação com estas divindades subalternas. (Era uma espécie de candomblé, puro e primitivo).

Por pretender estar em comunicação com divindades, pensadores e filósofos de categoria como Plotino, Porfírio, Jâmblico, Proclo, Eunápio etc., foram considerados místicos - e grandes místicos.

Depois a cultura judaica tardia e cristã identificaria os daimones ou demônios com anjos rebeldes. E os espíritas kardecistas -e outros ramos de espiritismo- aviltaram-nos mais ainda: identificam-nos com espíritos de mortos maus. Os daimones (= divindades) foram se degradando cada vez mais na cabeça dos homens.

Portanto, o chamado baixo espiritismo deveria na realidade considerar-se imensamente superior ao chamado alto.

-- Mesmo os grupos de alto espiritismo que não negam a existência de Deus (Deus pessoal), na prática são ateus porque prescindem completamente dEle. Tudo, no mal chamado alto espiritismo, rodopia ao redor dos espíritos dos mortos: acreditam receber a doutrina dos espíritos dos mortos, não de Deus; aos espíritos dos mortos dão seu culto, não a Deus; os espíritos são os guias e não há Divina Providência; mesmo o Juiz Supremo não seria Deus, mas o carma ao que o próprio Deus teria de obedecer.

Ateísmo prático, quando não também teórico.
Não é religião: relação criatura-Criador.

É verdade que nem por isso o candomblé, a umbanda e demais cultos afro-brasileiros deixam de cair no ateísmo prático, quase tão plenamente quanto o kardecismo ou outros tipos do mal chamado alto espiritismo, porque na realidade não rendem culto e em tudo prescindem do Deus Supremo. Por isso mesmo também, quase tão plenamente quanto o alto espiritismo, o chamado baixo espiritismo também não tem pleno direito a ser considerado religião.

Amálgama, mistura
No Brasil, o espiritismo de origem africana conservar-se-ia mais puro no candomblé.
Mas hoje os orixás do candomblé no Brasil foram degenerados, rebaixados ao rol "espíritos" superiores de mortos, como no "alto" espiritismo. Contaminaram-se e misturaram-se também com espíritos inferiores de pessoas falecidas.
Por exemplo, uma famosa "mãe-de-santo" do candomblé da Bahia, D. Georgina Aragão dos Santos Franco, assim se expressa:

"Como 'ebami' (os últimos sete anos da iniciação para mãe-de-santo) montei meu altar em casa com as imagens, as flores e o retrato do índio Jupiara (o candomblé em aberto sincretismo com o espiritismo ameríndio), que é 'caboclo'. O candomblé no Brasil não aceitava os 'caboclos' de jeito nenhum (...), mas um dia na Bahia, há muitos anos, houve uma porção de 'iaôs' (os três primeiros anos de iniciação) (...) e os 'caboclos' invadiram (...) e pegaram as 'iaôs' do candomblé. As mães-de-santo ficaram apavoradas e daí em diante tiveram de deixar os 'caboclos' se manifestarem (...).

"Então eu era uma espécie de 'faz-tudo': Recebia 'caboclo', sabia os trabalhos de 'umbanda' e recebia 'pretos-velhos'; mas também fazia 'sacrifícios' aos orixás no candomblé. Além disso recebi poderes para ser cartomante".
Nessa mistura, como falar de "espíritos superiores" e sua doutrina?

Mais mistura, sincretismo
Na umbanda (macumba, quimbanda etc.), tipicamente brasileira, e no vudú e santeria (da América Central) não há nem doutrina nem ritual fixo.
Que espíritos são os que se comunicariam?

Segundo alguns "mestres" ou alguns centros, terreiros ou tendas, "as entidades que baixam não são espíritos de mortos, jamais foram encarnados e não o serão jamais, são os espíritos da natureza" (orixás e exus); "outros sustentam que os espíritos que se incorporam nos médiuns são de (falecidos) pretos-velhos e índios (caboclos) que querem ajudar seus descendentes nos caminhos da Terra".

Os orixás do candomblé seriam os mesmos espíritos chamados pretos-velhos e caboclos na umbanda, santos no catolicismo e espíritos superiores no "alto" espiritismo. Todos seriam os mesmos espíritos!

&& É sabido que em toda a América Latina os escravos negros procedentes da África disfarçaram seus deuses sob o nome de santos católicos. Os "mestres" do "baixo" espiritismo - ou as divindades e espíritos comunicantes!- puderam explicar (?) o sincretismo servindo-se da absurda crença na reencarnação:

Um "obá" (médium de Xangô) na Bahia, e um "babalorixá" (chefe de terreiro) de Recife "explicavam" assim o sincretismo: na África e entre os primeiros escravos vindos ao Brasil, só havia orixás. Mas eles, antes de ascenderem por numerosas reencarnações à categoria de deuses, foram os reis e príncipes que viveram na África. Aconteceu também, que após seu reinado na África como negros, reencarnaram-se como brancos na Europa na Idade Média e foram canonizados pela Igreja Católica. "Eis por que dissemos que Xangô é S. Jerônimo, que Oxóssi é S. Jorge, e Iemanjá é Nossa Senhora do Rosário (em outros tipos de Candomblé a correspondência de orixás e santos é diferente). Isso quer dizer que o espírito do orixá e do santo são um só e mesmo espírito, aparecido diversas vezes na Terra através dos ciclos das reencarnações".

&& A cronologia de orixás, reis, santos e de novo orixás é totalmente incompatível, mas como frisa o grande antropólogo e historiador Roger Bastide, no espiritismo africano e afro-brasileiro -como em todo tipo de espiritismo, acrescento eu- a lógica não tem importância!

Importante é frisar que se o "baixo" espiritismo desceu do Olimpo das divindades ao baixo nível dos espíritos superiores do "alto" espiritismo, as doutrinas porém, do alto e do baixo espiritismo originariamente nada tinham em comum. Apesar de que tudo teria sido revelado pelos mesmos espíritos superiores dos mortos!

Não se trata, portanto, de revelações de espíritos superiores (nem inferiores), mas de reflexos dos diversos ambientes... E, por isso mesmo, hoje e cada dia mais há sincretismo e concordância entre o baixo e o alto espiritismo...

Reis e Anjos. Tenho de começar pelo mais sensacional centro espírita, segundo os "grandes mestres" no início do espiritismo anglo-saxão (daviniano) e também segundo "grandes mestres" do espiritismo kardecista:

Segundo os próprios espíritos superiores, que haveriam vindo na missão do lançamento mundial do espiritismo, para convencer a todos os céticos, da sobrevivência e da comunicação dos espíritos.

Foi na primeira década do espiritismo, pouco depois dos fenômenos das fundadoras, as irmãs Fox. Falanges de "espíritos" inferiores foram reunidas pelos espíritos "superiores para realizar os fenômenos, dado -afirmavam -que eles não podiam agir por si próprios nem aceitariam rebaixar-se a ministério tão vulgar.

Naquele centro houve todos os tipos de fenômenos. E em grau muito notável. O médium, Jonatham Koons, foi considerado por muitos espíritas, e unanimemente por todos os espíritos superiores de todos os centros a que foi chamado, o melhor médium de sua época. O seu filho mais velho, Nahun, era também um grande médium. E em plano mais modesto, também os outros sete filhos. Aí surgiu o grande invento e sensacional novidade de estabelecer os controles ou espíritos guias.

Pela segunda vez na história do espiritismo houve escrita direta (pneumografia), e muito freqüente. Pela primeira vez, voz direta (psicofonia) freqüente e potentíssima. Deu-se a primeira ocorrência concretamente de mãos isoladas (ecto-colo-plasmia) visíveis para todos e que se desvaneciam em vapor para libertar-se do toque de certos observadores.
Em 165 espíritos superiores que comandariam com absoluto domínio a ação dos inumeráveis espíritos inferiores, esses espíritos superiores eram todos reis. Eram designados apenas pelo nome genérico de King (rei). Afirmavam ser anjos na tradição judeu-cristã!.

(Não sem alguma contradição), também o chefe dos "espíritos" inferiores era conhecido pelo nome de John King. Teria sido um corsário inglês, de sobrenome Morgan, no tempo de Charles II. Teria sido o pai de Katie King (da que falo ao tratar da transfiguração, e que voltaremos a encontrar em vários artigos). E... todos os espíritos superiores eram pré-adamitas! Haviam vivido na Terra milhares de anos antes da nossa espécie.

Com referência à doutrina revelada por tão altos espíritos superiores, o "grande mestre" espírita Ernesto Bozzano -secundado por todos os "grandes mestres" do alto espiritismo- afirma entusiasmado: "Examinando esses ensinamentos dos espíritos, ditados no decurso de 1852 a 1856, é curioso observar que a pesquisa moderna não conseguiu ultrapassá-los e ir mais longe. Nada de melhor foi obtido e se mantêm idênticas conclusões quanto à explicação dos perturbadores enigmas próprios à investigação psíquica" (parapsicologia).

&& Não é aqui o momento de analisar pormenorizadamente as contradições. Mas é preciso destacar que precisamente com referência aos "ensinamentos dos espíritos" a doutrina revelada por estes "reis" e "anjos" da mais alta corte celeste está na mais completa oposição à doutrina kardecista? Não só eles teriam esquecido durante milhões de anos de reencarnar, nem só John King (Morgan) teria durante séculos também esquecido de reencarnar, senão que em toda a interminável e monótona revelação não teriam pronunciado uma só palavra a favor da reencarnação, tema que no kardecismo constitui o ponto alto e fundamental para a "explicação dos perturbadores enigmas próprios à investigação psíquica". Da pretensão kardecista de unanimidade universal, nada!

Também não se pode preterir aqui o fato de que o melhor médium, além dos 165 espíritos superiores, reis ou anjos, com suas falanges de espíritos..., fracassaram completamente na missão de convencer todos os céticos e unificar todas as religiões sob o estandarte do espiritismo (que não é religião!). Quanta megalomania: pura loucura.

Koons não convenceu nem sequer à maioria dos seus vizinhos, que acabaram revoltados contra ele: povo, jornalistas, incultos, sábios e Justiça.

Muito superior a Kardec. Muito antes das irmãs Fox, muito antes de Kardec, um século antes, Emmanuel Swedenborg (nascido de família luterana em Estocolmo, Suécia, em 1688) fundava a Igreja Swedenborguiana, ou A Nova Igreja, ou Igreja de Nova Jerusalém. Doutor pela Universidade de Upsala, percorreu quase toda a faixa das ciências da época, e era a maior autoridade sueca em mineralogia e geologia. Era matemático destacado, foi o primeiro a propor a hipótese nebular, antecipou-se a Einstein nas teorias de energia... Foi chamado o Aristóteles sueco e comparam-no também com Leonardo da Vinci. Esse cultíssimo pensador muito influenciou figuras díspares como Honoré de Balzac, Ralph Waldo Emerson, Abraham Lincoln etc., e convenceu plenamente a extraordinária mulher que foi Hellen Keller. Ainda hoje tem milhões de seguidores especialmente nos Estados Unidos da América. O poeta Edwin Narkhan afirmou: "Não há dúvidas de que Swedenborg foi uma das maiores inteligências que houve no planeta".

Mas..., também os sábios podem ficar e desenvolver loucura...
Em 28 anos de mediunidade, Swedenborg dialogava com espíritos de pessoas que conhecera em vida e com os espíritos de grande número de personagens históricos. Em viagens espirituais foram-lhe mostrados alguns dos planos superiores, inclusive planos do mundo espiritual reservados aos espíritos mais elevados e sublimes, plano ao qual contadíssimos espíritos chegam.

Sua doutrina? Frisarei somente o aspecto principal: com referência à sobrevivência.
Cada homem é uma criação nova e individual de Deus. O homem vive uma só vez na Terra. Depois de deixar o corpo físico por causa da morte na Terra, nunca mais terá outro corpo, que para nada lhe serviria. Como espírito e pelos próprios esforços vai avançando pelos planos espirituais da existência, aperfeiçoando-se, sempre em frente e para cima, durante muitíssimo tempo. Até alcançar um estado de perfeição que o torna digno de apresentar-se diante de Deus.

Tudo falso: o espírito, como tal, não pode evoluir. Não há tempo na eternidade. E não existe espírito humano sem corpo: ressurreição... A doutrina de Swedenborg consiste em meros devaneios de um inconsciente profundamente religioso e de privilegiada inteligência. Grande sábio em coisas observáveis da nossa terra, mas a respeito da doutrina sobrenatural, inobservável, não basta a inteligência e boa vontade, só Deus revela a Doutrina e Ele assina com os autênticos milagres (subrenaturais ou, em parapsicologia, Supra-Normais - SN).

Mas baste aqui frisar esses conceitos diametralmente opostos e diversos dos devaneios kardecistas de reencarnação. Onde fica a unanimidade e universalidade na doutrina dos espíritos superiores?

domingo, 9 de janeiro de 2011

As leis dos fenômenos espíritas

No artigo anterior, vimos que as mensagens do espiritismo, se não fossem meramente oriundas de divisão da personalidade!, em todo caso não podem proceder de espíritos bons, porque estariam se mostrando como mentirosos, enganadores, falsários.
Boneca feita de pão.
Representa uma das
"deusas" (?) da
fertilidade e das boas
colheitas.
Esse mesmo proceder de disfarçar-se com nomes que não lhes pertencem, proceder que Allan Kardec atribui aos "espíritos superiores" (?!), em outro livro,"O livro dos espíritos", o julga próprio de espíritos inferiores:

"Um fato demonstrado pela observação e confirmado pelos próprios espíritos (superiores, ou inferiores disfarçados?) é que os espíritos inferiores muitas vezes usurpam nomes conhecidos e respeitados. Quem pode, pois, afirmar que os que dizem ter sido, por exemplo, Sócrates, Júlio César, Carlos Magno, Fenelon, Napoleão, Washington etc. tenham realmente animado essas personagens? (..) Como se lhes pode comprovar a identidade? Semelhante prova é, de fato, bem difícil de se produzir".

Na realidade, quem não é espírita fanático sabe que quem diz ser Sócrates, Júlio César, Carlos Magno etc. é simplesmente um louco.

Só um espírita pode duvidar... Tal dúvida, aliás, contradiz sem dúvida outra hipótese do espiritismo, a reencarnação!

Mas o que interessa aqui é que Kardec considera que usurpar nomes é comportamento próprio de espíritos inferiores. Logicamente. Aqui tem razão!

Entre os pesquisadores da metapsíquica, uma das personificações ou prosopopéias do inconsciente melhor estudada foi Phinuit. Os espíritas consideram-no "o mais acabadamente espírito bom". Era o "espírito guia" da provavelmente melhor dotada de fenômenos de conhecimento, Eleonora Piper.

"Houve sessões nas quais todas as perguntas e todas as proposições formuladas eram verdadeiras".

Em outras, porém, todos os conhecimentos do "espírito de luz" Phinuit esvaziavam-se e perdiam-se em astúcias e simulações, ele "não manifestava o menor conhecimento real e limitava-se a (...) respostas formuladas ao acaso (...), generalidades vagas (...) Phinuit pretendia estar sempre em comunicação com os outros espíritos (...), e logo mais suas lembranças confundiam-se (...), terminava em incoerências (...), comunicações procedentes de espíritos de extraterrestres (...) Muitos defeitos e muitas incoerências".

Assim o garante nada menos que seu grande pesquisador Frederico Myers.
Quem poderia confiar em Phinuit? Como é que os líderes do espiritismo tanto o exaltam?

INDIGNO DE ESPÍRITOS DIGNOS

É inadmissível que pessoas que em vida tenham sido eminentemente respeitáveis, no além estejam à disposição de curiosos, ou se misturem em ambientes escuros e agitados, ou se degradem a golpear ou fazer girar uma mesa ou empurrar um copo etc.

"Se nossos defuntos, ao menos os respeitáveis, pudessem comunicar-se conosco, encontrariam um meio mais digno".

Assim conclui Enrico Morselli após as pesquisas nada menos que com a mais famosa de fenômenos de efeitos físicos, Eusápia Palladino.

"Mas é possível que o grande mistério da morte, se reduza a uma comédia? (...) Quando morrer, deverei pôr-me à disposição de um médium e percorrer o mundo para levantar cadeiras de sob os assistentes e golpear uma mesinha? Não acredito porque é absurdo, porque é ímpio", conclui outro grande pesquisador, Gaetano Negri. É evidente. Lamentável a mentalidade dos "mestres" espíritas.
PREJUDICIAL A "LEI DA AFINIDADE"

Segundo os dirigentes espíritas, repetido nas mais diversas ocasiões, os espíritos são atraídos pela igualdade ou maior semelhança entre eles e o ambiente que os evoca. Afinidade moral, cultural, de desenvolvimento perispIrÍtico (!?) etc.

De acordo com esta lei, os "desencarnados" que se comunicariam com os médiuns só podem ser

-- os mais incultos: não se celebram sessões de espiritismo nos congressos de prêmios Nobel nem nas universidades.

-- Os mais amorais: não se celebram sessões de espiritismo nos conventos, nos mosteiros, nas santas casas de misericórdia, nos hospitais da madre Teresa de Calcutá na Índia, ou nos Asilos da Irmã Dulce no Brasil, nas organizações internacionais da Cruz Vermelha, etc.

-- Os menos desenvolvidos: porque os "espíritos de luz" estariam muito distantes desta Terra de castigo (?!), e seu persipírito (?!) teria de ser o mais grosseiro, dado que o perispírito sujeito ao corpo mortal no planeta Terra seria dos mais baixos da escala de desenvolvimento. Tudo de acordo com as leis espíritas. Ernesto Bozzano afirma como consenso entre todos os mestres do espiritismo:

"Confirma-se tudo o que, há muito tempo, já se havia assinalado com relação às comunicações mediúnicas, isto é, que os espíritos que se comunicam, quando se acham imersos na 'aura' dos médiuns, ficam em condições análogas às dos pacientes hipnóticos e se tornam, em conseqüência, sugestionáveis, sofrendo notável diminuição de suas faculdades mnemônicas. Isto dissipa muitas dúvidas teóricas".

É a lei da afinidade que atrai os espíritos apegados à terra; e mesmo que na "rede caísse" algum espírito superior, pela influência da lei da afinidade, logo se adaptaria ao baixo nível.

"isto dissipa muitas dúvidas teóricas". Pretende safar-se de tantas contradições, erros, bobagens e mesmo grosseiras e imoralidades facilmente misturadas nas mensagens atribuídas aos mais altos espíritos superiores. Nem percebe que assim acaba com os espíritos superiores. São simples seres hipnotizados e sugestionáveis à mercê e no nível dos médiuns...! Logicamente, se atraísse algum espírito, seria o das pessoas vivas deste mundo (telepatia), pois são elas sem dúvida as que mais se assemelham aos evocadores deste mundo.

Ou, na realidade, o próprio inconsciente do médium (com ou sem telepatia). Porque em questão de afinidade nenhum outro espírito pode estar tão perto como uma parte complementar do próprio "eu" do médium. E dado que se tratava de uma parte da própria pessoa, são pessoas com divisão da personalidade, desequilibradas. Segundo os espíritas, seriam espíritos grosseiros.

Outra boneca. Feita de trigo. Para garantir as boas colheitas!: "Os semelhantes se atraem"!
Outra boneca. Feita de trigo.
Para garantir as boas
colheitas!: "Os semelhantes
se atraem"!
E A OUTRA LEI?

Deve-se levar em consideração, aliás, que embora as partes do psiquismo de uma mesma pessoa
sejam sem dúvida da mesma natureza, do mesmo "perispírito" (?!), da mesma estrutura, da mesma substância..., a divisão da personalidade pode ser por "cristalização" das "partículas" mais díspares entre si, ocasionando grupos complementares ou opostos. Junto à lei da afinidade, deve constar também a lei da atração dos opostos. Nas manifestações espiritóides pode acontecer que a parte inconsciente que se manifesta seja precisamente a oposta à personalidade oficial do médium.
NÂO PODEM SER, AO MESMO TEMPO, BONS E MAUS

Allan Kardec escrevia convicto em "O livro dos espíritos" :

"A linguagem dos espíritos superiores é constantemente digna, nobre (...) Sua presença afasta os espíritos inferiores".

Foi a experiência que lhe ensinou mais tarde que a realidade é muito diferente? (o inconsciente mistura o bom e o mau). Ou é só mais uma de tantissimas contradições de Kardec, dado que na realidade só pretendia confundir? Então "os espíritos superiores" entraram em contradição: Afirmam em "O livro dos médiuns" que não afastam com sua presença os espíritos inferiores, mas que permanecem, uns e outros, continuamente misturados. Mesmo tendo dito:

"Os bons e os maus espíritos não andam juntos", poucos parágrafos depois se contradiz e deixa escapar um "pela facilidade com que os maus espíritos se intrometem nas comunicações" (dos bons espíritos).

Imediatamente, contra a afirmação de que a "presença (dos bons espíritos) afasta os espíritos inferiores", nova contradição pouquíssimas linhas depois:

"Quanto piores são os espíritos, mais obstinados se mostram e muitas vezes resistem a todas as injunções".

Isto é, os que estariam mais ligados à Terra, os mais numerosos, os espíritos verdadeiramente maus, muito maus, os piores, não são afastados pelos espíritos superiores!!
O "CONTROLE"

Mesmo o ofício ou a pretensa existência do "espírito guia" ou "controle" das sessões foi claramente subterfúgio inventado tardiamente. Inventado pelo inconsciente e pelos líderes modernos do espiritismo. Para defender-se dos erros, tolices, contradições etc. freqüentemente misturados nas manifestações do inconsciente -ou intromissões dos "espíritos inferiores"!- sendo que os fundadores do espiritismo -os primeiros mestres e "espíritos superiores"- nada sabiam de "espíritos guias".

Seriam médiuns entre os médiuns da Terra e os espíritos do além. Mas sobre esses "espíritos médiuns" logo apareceram outros novos "espíritos médiuns" ou espíritos guias", e logo outros e assim numa série interminável que mais do que mostrar organização, provaria e confirmaria a total anarquia dos "espíritos" (não há espírito humano sem corpo material ou ressuscitado), totalmente indigna.

É desse anárquico além que os espíritas pretendem receber a doutrina para endireitar este mundo terrestre!

Todas as religiões, ao menos as religiões principais e mais desenvolvidas, separam no além os bons dos maus. A mistura que o espiritismo faz, mostra seu baixo calão.
ESSA AMALGAMA É BEM CONHECIDA

A psicologia e a parapsicologia, com seus respectivos estudos sobre o inconsciente, explicam esta mistura do bem e do mal. Sem recurso a esse amálgama do espíritos. Onde os bons e maus viveriam tão indissoluvelmente misturados, que um "espírito de luz" se converte -ou é substituído- de repente num "espírito inferior".

Compreende-se perfeitamente pela irresponsabilidade própria do inconsciente. Nele se arquiva o mais sublime e o mais baixo. Ele capta também extranormal e paranormalmente em pessoas presentes e ausentes o mais sublime e o mais baixo. Nele o mais sublime pode justapor-se ao mais baixo por qualquer associação de idéias, e inclusive por contraste. É corriqueiro e próprio das manifestações nos sonhos, na hipnose, após a injeção de drogas, ou em qualquer outro estado alterado de consciência.

Quem foi meu professor, um grande psicólogo e por muitos anos professor de psicologia, Fernando Maria Palmés S.J., que também era filósofo, teólogo e parapsicólogo, escrevia:
"Porque (...) em boa razão não tem cabimento a possibilidade de atribuir semelhantes fenômenos às almas dos defuntos (...), que de tal maneira estejam à disposição dos homens que praticam as superstições do espiritismo, a ponto de lhes executarem as ordens e lhes satisfazerem a vã curiosidade e as ânsias do maravilhoso, dando lugar a exibições que freqüentemente são pueris, ridículas e, não poucas vezes, também grosseiras e imorais (...), que os próprios espíritas nos descrevem" (...)

"Mistura ridícula das verdades cristãs com os erros mais crassos; a moral mais pervertida, junto com (...) máximas boas, ou indiferentes (...); mentiras e contradições em que quase sempre incorrem os médiuns (...) E muitas outras particularidades que ainda se poderiam notar na fenomenologia aduzida pelos próprios espíritas" (...)

"Sobretudo em razão do desequilíbrio mental que em maior ou menor escala padecem quantos se dedicam assiduamente às práticas espíritas, especialmente os que desempenham o papel de médium".

O curioso (algo surpreende no espiritismo?) é que o próprio Allan Kardec, em nova contradição, reconhece que não se trata de mistura de espíritos bons e maus, senão de influência do inconsciente:

Os espíritos superiores (?) respondem afirmativamente à pergunta de se "as comunicações escritas ou verbais também podem emanar do próprio espírito encarnado do médium (...). É fora de dúvida que o espírito do médium pode agir por si mesmo". Precisamente por estar "no estado de sonambulismo ou de êxtase, é que principalmente o espírito do médium se manifesta, porque não se encontra mais livre. No estado normal é mais difícil".

Tais interferências do inconsciente do próprio médium podem ser superiores aos seus conhecimentos conscientes:

"Poderá ele haurir nas profundezas do seu próprio eu as idéias que parecem fora do alcance da sua instrução. Isso acontece freqüentemente no estado de crise sonambúlica, ou extática".

Nos sonhos, no estado crepuscular, em todos os estados alterados de consciência, não só se misturam manifestações as mais díspares do arquivo normal e patológico do inconsciente, mas também podem misturar-se dados parapsicologicamente adquiridos.
COMO EXEMPLO O CASO GLIKA
Entre inumeráveis, eis um exemplo de mentira do inconsciente provocada pela adivinhação parapsicológica. Nenhuma necessidade de inventar intervenções de espíritos mentirosos. O exemplo é contado por um pioneiro da parapsicologia, Teodoro Flournoy, grande psicólogo e parapsicólogo, que já no início do século XIX mostrava quanto desconhecimento supõe a explicação (?) espírita:

Quatro pessoas interrogam uma mesa, uma delas é médium, Glika. Com movimentos e golpes no chão, a mesa, sob a mão dos presentes (paracinesia), energicamente comunica: "Bertin, Bertin, meu amigo! Alexandre morreu".

Alexandre G., de 21 anos, está internado há mais de vinte anos num asilo. O Prof. Bertin (pseudônimo), culto, de uns 60 anos, é seu primo... e herdeiro. Várias vezes Bertin pensou se não seria melhor que Alexandre fosse "descansar" e que do sanatório não lhe enviassem mensalmente as contas a pagar. Ficou contentíssimo com a mensagem...
Mais uma vez um amigo, a pedido do Sr. Bertin, foi verificar o estado de saúde de Alexandre: "Lamentavelmente" estava em perfeita saúde física.

O "espírito superior" de repente trocaria a atenção com seu "querido amigo" Bertin, das anteriores comunicações verdadeiras, por um grosseiro engano?

Ou de repente, não obstante todo o cuidado do "espírito guia", misturou-se um espírito mentiroso?

Acrescenta Flournoy:
"A mesa mentiu, sim, tratando-se da realidade material dos fatos. Mas ela traduziu o pensamento secreto, o desejo latente e obstinado do Sr. Bertin".

A adivinhação inconsciente da médium profissional, simples HIE (Hiperestesia sobre o Inconsciente Excitado), um dos mais fáceis e freqüentes fenômenos parapsicológicos de conhecimento, explica perfeitamente os fatos sem esse recurso absurdo de intervenções cronométricas ou simultâneas de espíritos bons, maus e guias inúteis.

É sabido -embora os "mestres" espíritas prefiram ignorar também isso- que o inconsciente, e concretamente as faculdades parapsicológicas, é caprichoso e irregular.

Um dos maiores mestres da psicologia, filosofia e parapsicologia, William James, já destacava a respeito de Eleonora Piper o motivo psicológico pelo qual o inconsciente inventou essa briga e a interferência de espíritos:

É para "explicar de maneira plausível tantas repetições, hesitações, inconseqüências, frases sem sentido, tantas apalpadelas e sondagens manifestas e falsas pistas. Daí tanto recurso a poderes inexistentes (interferências de espíritos inferiores entre os superiores e guias), quando na realidade é obediência à sugestão".

A mesma coisa acontece com as manifestações do inconsciente fora do ambiente supersticioso do espiritismo, demonologia, ou entre pentecostais, carismáticos etc.
Ante a riquíssima boneca supersticiosa, o espertalhão
médium incorpora o "espírito de porco"!
Ante a riquíssima boneca supersticiosa, o espertalhão médium incorpora o "espírito de porco"!
ENTÃO SERIAM SÓ ESPÍRITOS INFERIORES?

É preciso partir do pressuposto de que o espiritismo se fundamenta numa comunicação pretensamente normal, habitual, freqüente dos espíritos. Não se poderia falar em espiritismo se houvesse só algumas esporádicas manifestações de alguns espíritos.

Lourenço Faget, por exemplo, em entrevista oficial aos jornalistas como presidente do Congresso Internacional de Espiritismo, de Liége, afirma que um dos pilares fundamentais do espiritismo é "a possibilidade das comunicações normais, note-se que digo normais e não acidentais, entre os mortos e vivos, entre os desencarnados e os encarnados".

Ora, em todo e qualquer grupo onde há manifestações espiritóides normais ou freqüentes, sempre há manifestações atribuídas aos "espíritos inferiores". Um dos mestres, percursores ou fundadores do espiritismo moderno, Staiton Moses, num livro que alcançou centenas de edições entre os espíritas, afirma a respeito das entidades que se manifestam em toda parte, em todos os centros:

"Muitas dessas entidades são seres maléficos nos seus gostos e impuros nos seus costumes, que estão reunidos em bandos sob o comando da inteligência mais maléfica, para causar dano, para obstacular nossa obra".

No espiritismo não são os espíritos bons que se manifestam. Também não são conjuntamente espíritos bons e maus. Restaria que fossem só espíritos maus, vestidos às vezes com peles de ovelha.

Mas logo caindo-lhes a máscara! Allan Kardec escrevia:
"Quanto aos espíritos que se enfeitam com nomes respeitáveis, eles se traem logo pela sua linguagem e suas máximas".

Os "mestres" do espiritismo anglo-saxão, em geral, concordam com Oliver Lodge. Nada menos que Oliver Lodge, tão louvado pelos espíritas de todo o mundo. Lodge afirma que se fundamenta em abundantes revelações espíritas (?), confirmadas pelas do espírito (?) do seu próprio filho Raymond. Pois bem, Lodge garante que a vida no além se prolonga indefinidamente, levando os espíritos a subir sempre mais alto na escada evolutiva, afastando-se cada vez mais da terra e ficando cada vez mais difícil a comunicação espírita e mesmo impossível para os espíritos superiores. Só os espíritos mais grosseiros, mais apegados às misérias desta Terra no início da purificação é que teriam possibilidade e mesmo facilidade de se comunicar.

Kardec e os "mestres" do espiritismo latino concordam em que os espíritos desenvolvidos se afastam da Terra.

Para os "mestres" do espiritismo anglo-saxão, os espíritos inferiores, em grande número, estão apegados à Terra. Precisamente os espíritos mais grosseiros são os mais fortes. Se algum "debilitado" e "purificado" espírito superior pretende imiscuir-se no ambiente da Terra e competir com os espíritos grosseiros para se comunicar com um vivo, nem luta haveria. Os espíritos grosseiros venceriam com a máxima facilidade.

E no além haveria total anarquia. Ninguém estabeleceria ordem! Muito menos na Terra: Uma revista de máximo prestígio entre os espíritas de todo o mundo "Le Monde Psychique", transcreve a doutrina concordante:

"No mundo dos espíritos, reina a lei do mais forte. É um estado de anarquia. Se as sessões não são instrutivas, é porque um espírito malvado não abandona a mesa e deita-se sobre ela, de uma sessão para outra, de maneira que os espíritos que desejarem entrar em comunicação séria com os membros do círculo não podem se aproximar".

A maioria dos ocultistas, seguindo seu "grande mestre" Papus, modificou a tradicional definição esotérica de "elementares", terminando quase por identificá-los com espíritos de mortos.

Pois bem, o que interessa agora, conclui o grande especialista René Guénon no seu "L'erreur spirite": segundo os ocultistas e teósofos, os espíritos "precisamente dos bêbados, dos feiticeiros e dos criminosos, como também dos falecidos em morte violenta e dos suicidas (...), os de natureza mais inferior são os que com gosto se manifestam nas sessões espíritas (...) É mesmo a esses seres inferiores aos quais os teósofos reservam o nome de 'elementares' (...) Haveria que se afastar plenamente das práticas do espiritismo, e é isso efetivamente o que recomendam os dirigentes do ocultismo e mormente do teosofismo".

E o curioso é que Kardec e os "mestres" espíritas concordam com todas as premissas: muito numerosos, apegados, mais grosseiros, mais fortes, anarquia...! Contraditoriamente, porém, negam a conseqüência! Na realidade, segundo a lógica, seria necessário dar plena razão aos ocultistas: os espíritos superiores não têm a mínima possibilidade de se comunicar com os vivos da Terra. Só poderiam os espíritos inferiores. Tanto mais facilidade e comunicação quanto mais inferiores!
NÃO SÃO OS ESPÍRITOS INFERIORES

Apesar de formado em ambiente do espiritismo durante anos, por fim o grande estudioso Dr. Alexander, da Universidade de Bruxelas, terminou por reconhecer:

"Perante a ingente quantidade de tolices e despropósitos que se comunicam em todos os centros de espiritismo, e considerando a quantidade de cretinos e imbecis que já morreram no mundo, estar-se-ia inclinado a aceitar a explicação das ingerências dos espíritos inferiores. Mas, tal explicação não tem base nenhuma, e para compreender que se trata de ingerências do próprio inconsciente do médium ou dos assistentes, basta considerar as grosserias que é capaz de soltar a mais fina madame quando sob os efeitos de clorofórmio. Todos os cirurgiões dão testemunho disso".

Um exemplo... Recentemente um médico foi expulso da Sociedade de Medicina Italiana e causou escândalo entre o povo desconhecedor do inconsciente, porque contra a mais elementar ética publicou as horríveis blasfêmias que durante o delírio prévio à morte escaparam de uma alta autoridade da Igreja, modelo de piedade e amor a Deus, hoje com causa de beatificação introduzida. O episódio foi publicado em todo o mundo.
NA REALIDADE É O INCONSCIENTE

Como Flournoy demonstrou de modo completamente convincente (para quem não sofreu lavagem cerebral pela mentalidade espírita), o famoso caso de Helena Smith, considerado pelos espíritas como o mais convincente de identificação, nada tem a ver nem com espíritos superiores nem com interferências de espíritos inferiores...

Tudo foi produto das qualidades, maravilhosas por certo, assim como também das frustrações e mesmo hetero-sugestões do inconsciente de Helena.

O mesmo Flournoy recolheu quatro outros casos sensacionais, os melhores possíveis de "identificação" dos espíritos. A lógica (?) espírita imediatamente garantiu tratar-se de interferência de "espíritos enganadores".

Nada disso. O famoso psicólogo e brilhante parapsicólogo da Universidade de Gênova demonstrou com sistemática análise e verificação de cada detalhe, que nesses quatro casos como no de Helena Smith e em outros casos que cita menos detalhadamente, tratava-se de "comunicações" de pessoas completamente vivas e cheias de saúde!

Nem nos melhores casos segundo os espiritas. Nunca. O máximo que pode acontecer (pois há muitíssimos outros casos absolutamente vulgares, fictícios, truques...) é serem "comunicações" e personificações (prosopopéias) selecionadas de acordo com as tendências afetivas, evidentemente dos inconscientes dos médiuns.
CONCLUSÃO

Tomá-la-emos de Chico Xavier! Não é das menores contradições dentro do espiritismo a afirmação psicografada por Chico Xavier, "papa" do espiritismo do Brasil:

"Na existência terrena vivemos o combate das idéias e das coisas (...) A morte, todavia, transformação fundamental de todas as coisas é o sopro ciclópico de realidades absolutas, descortinando ao espírito a perspectiva imensa da ciência universal (...), a ciência ideal (...) estudando a Verdade em seus fundamentos intrínsecos".

Só a lógica (?) espírita não percebe que esta mensagem acaba com a reencarnação, com toda a doutrina espírita em bloco..., e concretamente com as ingerências e mesmo a tal ignorância de espíritos inferiores, que o próprio espiritismo inventou como escusa.

O picante para o espiritismo é que essa afirmação de Chico Xavier está plenamente de acordo com a doutrina católica: com a morte termina a ignorância.

E de acordo com a parapsicologia: não se trata de espíritos superiores e inferiores. Trata-se de manifestações das faculdades dos vivos, "na existência terrena... no combate das idéias e das coisas".