terça-feira, 24 de maio de 2011

Sobre labirintos em pensamentos

Há tanto tempo a tantas léguas
Numa bendita saudade sem trégua
Do puro amor que me abraçou
N'intensidade de vida que s'entrelaçou...

O que é fato é sentimento
Só m'encontrando em pensamento
Num labirinto que transvia
Numa urgência que não abrevia!

Cá, estou tão alheio
Dentre páginas que perfolheio
Dentre canções molhadas
Em cartas fúnebres embaralhadas.

sábado, 7 de maio de 2011

Sam Harris propõe o fim da religião

Por segurança, o filósofo estadunidense Sam Harris não revela onde mora. Depois de escrever Carta a uma Nação Cristã (2007) e O Fim da Fé (2009), em que diz que as religiões são responsáveis por boa parte dos males do mundo, Harris não fez muitos amigos. Recebeu milhares de e-mails furiosos, alguns com ameaças. Aparentemente, ele não quer fazer as pazes com os religiosos que o criticaram. Ph.D. em neurociência, Harris acaba de lançar nos EUA Moral Landscape (Panorama moral, ainda sem edição no Brasil), no qual defende que, para construir nossos valores, não precisamos de crenças. Bastam alguns cálculos científicos.

*Você critica cientistas que defendem a convivência entre crenças culturais e ciência. Por quê?

Sam Harris: Nos últimos 100 anos, a antropologia, baseada nos testemunhos de diferentes identidades culturais, estabeleceu que não poderia haver uma verdade moral, que deveríamos considerar os pontos de vista de todas as culturas e levar em conta seus valores. Isso se espalhou e os cientistas hoje fingem que é possível conciliar ciência e religião. Mas não é. Se, na ciência, desprezamos várias hipóteses que se mostram ridículas, por que deveríamos considerar todas as ideias, por mais bizarras que sejam, sobre os valores de uma sociedade? Há formas de organização social e ideias claramente inferiores que deveriam acabar. 

*Você pode citar exemplos?

Harris: É claro que os muçulmanos estão errados uma vez que as mulheres, nessa cultura, sofrem mais do que nas outras. No Afeganistão, a expectativa de vida para as mulheres é de 44 anos, apenas 20% são alfabetizadas e a taxa de mortalidade materna (em decorrência da gravidez) é uma das maiores do mundo. Por causa da religião, aquele é um lugar terrível para ser uma mulher. Não podemos respeitar seus valores. 

*Você não teme ser taxado de intolerante?

Harris: Ao criticar culturas, estou preocupado com o sofrimento terrível causado por elas. Tolerar a intolerância não é uma virtude, é uma covardia. Quem aceita o comportamento de homens muçulmanos com as mulheres, as ameaças aos jornalistas e a trabalhadores de ajuda humanitária, não é tolerante. Apenas tem uma compaixão falha. 

*Se não pela religião, como poderíamos construir valores?

Harris: Há uma ciência da moralidade surgindo. O objetivo, com novos estudos e pesquisas, é aumentar o bem-estar, que pode ser medido pela expectativa de vida, taxas de mortalidade e indicadores cerebrais de prazer, por exemplo. Muito em breve será possível analisar o cérebro de pessoas em diferentes regiões do planeta para medir que tipos de prática as deixam num estado mais próximo ao da felicidade. Esse tipo de pesquisa já começa a ser feito por neurocientistas. Com esse tipo de abordagem, podemos argumentar, cientificamente, que algumas culturas estão erradas, porque são falhas em promover o bem-estar. 

* A ciência é subproduto da cultura e também usada politicamente. Buscar nela os valores não seria igualmente perigoso?

Harris: Cientistas podem falhar, mas a ciência é a forma mais honesta de lidar com os valores. Ela confia em observações claras e raciocínio honesto num grau não alcançado por nenhuma outra área do discurso humano. Há, por exemplo, 21 estados americanos em que é permitido bater em crianças na escola como forma de punição educativa, mesmo com incontáveis estudos mostrando que isso é prejudicial ao seu desenvolvimento. Essa prática está baseada em ensinamentos da Bíblia. A ciência é claramente mais indicada para estabelecer esse tipo de conduta social do que as tradições religiosas. 

* A religião não deve, então, influenciar nenhuma decisão?

Harris: Não. Após a globalização, nosso desafio é construir uma civilização unicultural, com os mesmos valores para todos. Não podemos tolerar argumentos radicais na saúde, por exemplo. Se os chineses agirem mal sobre alguma doença, matando milhares nas suas cidades, isso se torna um problema em todo o mundo porque tal doença pode se espalhar em horas. Meio ambiente, política e economia também não podem se sujeitar a diferentes interpretações. Só deveriam resistir as diferenças que não causam sofrimento, como na arte, na arquitetura e na gastronomia. Mas crenças díspares sobre o que é bom e ruim para as nossas vidas podem causar um dano tremendo.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI198274-17773,00.html

quinta-feira, 3 de março de 2011

Por que o sapo não lava o pé?

 
O motivo desta incógnita desvelado por filósofos: por que o sapo não lava o pé?

Parmênides de Eléia
Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?

Heráclito de Éfeso
Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na lavagem, devido à impermanência das coisas.

Platão
Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!

Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?

Górgias: Sou forçado a admitir que sim.

Sócrates: Pois bem, e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?

Górgias: Sim, tu estás novamente correto.

Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza,ó Górgias?

Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.

Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem e uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.

Górgias: É verdade.

Sócrates: Precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?

Górgias: Não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!

Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água

Górgias: De acordo Diógenes, o Cínico: Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.

Aristóteles
O [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte . Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.

Epicuro
O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância.

O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.

Estóicos
O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.

Descartes
Nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a autoconservação, como um relógio precisa de corda.

Maquiavel
A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.

Rousseau
Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.

Locke
Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.

Filmer
Podemos ver que, desde a época de Adão, os sapos têm lavado os pés. Aliás, os seres, em geral, têm lavado os pés à beira da lagoa. Sendo o sapo um descendente do sapo ancestral, é legítimo, obrigatório e salutar que ele lave seus pés todos os dias à beira do lago ou lagoa. Caso contrário, estará incorrendo duplamente em pecado e infração.

Kant
O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.

Nota de Freud: Kant jamais lavou seus pés.

Hegel
Podemos observar na lavagem do pé a manifestação da Dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo – em relação à higiene – para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.

Marx
A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.

Engels: Isso mesmo.

Schopenhauer
O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou "véu de Maya". A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de Coisa-em si, e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: "O mundo como vontade e representação".

Nietzsche
Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação - herança de povos mediterrâneos, certamente - uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida – e difícil – fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé.

Foucault
Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé – bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas – domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível – é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.

Freud
Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.

Jung
O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o
pé.

Kierkegaard
O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.

Comte
O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.

Weber
A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lava o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo – a vida na lagoa.

Horkheimer e Adorno
A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.

Gramsci
O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições - representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis– serão criadas possibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob a direção das classes anteriormente subordinadas.

Bobbio
Existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.
 
Peter Singer
O interesse do sapo em lavar o pé é o que importa, e não o motivo dele praticar o ato em si. Segundo a prerrogativa moral básica da igualdade, que é a igual consideração de interesses, se eu lavo meu pé e tenho a liberdade de fazê-lo respeitada, é imperativo que também concebamos o interesse do sapo, que não é maior que o meu, por se tratar de um ser sensciente.

Olavo de Carvalho
O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o Mundo, um tipo de atitude oriundo de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O canto da flor carniceira

Nefasto porre de dúvidas
Anjos e demônios mal-criados
Assoviam perenes e endiabrados
Alheios, inertes às minhas súplicas.

A carta ensimesmada por músicas
Professava esta penúria de escravos
E antes de tais profecias, o agravo
Eram os outros mártires e suas túnicas.

Esta flor carniceira é pura atração
Sambando, guardando os espasmos
Somente para o dia da frustração,
Que retorna ao seu canto de estragos.

Parte embora vitoriosa, como não
Poderia deixar de ser.
Zomba novamente de tua cara,
Que já não tem nada a perder.



MOREIRA, Saulo. Arquivo Poético. Olinda: Elógica, 2004.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Cura Parapsicológica? Sensacional polêmica

Outro caminho? - A cura por meios parapsicológicos receberia o nome de para-iatria ou meta-iatria (raizes de para-psicologia ou meta-psíquica, e iatria do grego ´iatriké = medicina). Paraiatria (à margem da medicina) é termo preferível a Metaiatria (supramedicina), pelos mesmos motivos pelos quais os especialistas modernos preferem o termo Parapsicologia ao de Metapsíquica dos antigos. Etimologicamente o nome Paraiatria, nada mais afirma que um outro caminho de cura diferente do habitual em medicina. Parapsicologicamente pode-se desencadear a atividade do psiquismo? Existe a cura por força parapsicológica ?

A cura da "bicheira" - A cura "mágica" (?) da bicheira (mitase) do gado, é um fato testemunhado por inúmeras pessoas e confirmado por observações científicas, como tantas outras vezes, a "Microparapsicologia" ou escola norte-americana de Parapsicologia, está fora dos trilhos. Resume o Dr. Rhine, o mais destacado e fundador dessa escola: "Há ainda um caso, talvez o mais estranho desta série estranha. Entre todos esses efeitos orgânicos de ordem médica (...) não há nenhum que pareça mais interessante, do ponto de vista científico, e mais fecundo do que a velha arte, simples e sem elegância, de expulsar as verrugas e outras excrescências da pele dos animais de fazendas. Não parece convincente supor que só a sugestão possa retirar uma excrescência do animal como, segundo consta, os encantamentos retiram as verrugas dos humanos. No caso do animal é necessário, manifestamente, uma ação psicofísica direta sobre a excrescência mesma. Se os relatos justificam finalmente a conclusão científica precisa de que o curador é verdadeiramente o agente efetivo, então, estes fenômenos são casos de psicocinesia".

Que disparate! Psicocinesia (PK), ação extrasensorial sobre a matéria, fenômeno que só existe na imaginação da "Microparapsicologia".

O próprio Rhine conta em outro livro um exemplo de cura da bicheira:
"Uma das mais respeitadas pessoas de minhas relações, uma senhora responsável e culta, conta que sua família ficou impossibilitada de vender uma novilha puro-sangue, por tantas verrugas que nela nasceram. Um indivíduo da localidade, afamado como capaz de fazê-las desaparecer, deu ao tratador algumas palavras que deveria pronunciar enquanto alimentava a novilha... E dentro em pouco as verrugas desapareceram. Bastante rapidamente para impressionar a família, embora não se tivesse realmente conscientizado do tempo decorrido".


Por que cura? - Prescindimos de muitos casos em que a bicheira cai espontaneamente: a bicheira tem seu tempo para se desprender. Um vaqueiro e curandeiro observador e espertalhão encontra o modo de realizar seu ritual, precisamente quando prevê que a bicheira amadureceu e vai cair, e encontra mil desculpas em outras oportunidades. É uma primeira explicação para alguns casos.

Mas o fato é que, outras vezes, alguns curandeiros curam a mitase. Será que a vaca acostumada a obedecer ao homem, ao dono animado pelo curandeiro, anima-se e ativa as defesas do próprio organismo? É uma possível explicação, rara para outros casos, com vacas "de estimação".

Mas, não basta: como dizia Rhine, "parece difícil atribuir o efeito à sugestão"..., ao menos, acrescentamos nós, em casos de cura de bicheira em gado meio selvagem que pouco ou nada obedece... É necessário, da análise dos fatos, concluir por algum influxo energético do curador (não PK, senão telergia, fenômeno do qual a Microparapsicologia não conhece nem o nome).

Pesquisa - Os parapsicólogos da "Society for Psychical Research" de Calcutá, após um rigoroso estudo, chegaram às seguintes conclusões 1º) Nem todas as pessoas podem curar a bicheira; 2º) O curador tem um dom especial, inalienável. Se pretender ensinar o "modus operandi" a cinqüenta pessoas, talvez uma só ou nenhuma conseguirá êxito; 3º) A cura independe totalmente dos meios empregados.

Cada curador tem seu próprio ritual, às vezes dos mais absurdos. Com efeito, nós temos comprovado que uns recortam a pegada da vaca no céspede e lhe dão a volta; outros cortam uns pedacinhos dos pêlos da cauda e os enterram; outros pegam a babosidade da boca do animal e parte introduzem na orelha esquerda da vaca e parte queimam; uns sussurram fórmulas misteriosas e supersticiosas do mais baixo espiritismo na orelha da vaca; outros, naquele dia, vão à Missa e rezam o terço para ainda recitar outras orações raras e absurdas na presença do animal; há quem de inumeráveis passes sobre todo o corpo da vaca; outros impõem a mãos sobre a bicheira, etc.

Às mesmas conclusões, há já bastante tempo, em 1898, chegara um médico brasileiro, Dr. A. Felício dos Santos, após pesquisar o caso da cura da bicheira nos campos de Minas Gerais. Além do mais, realizou um amplo inquérito obtendo inúmeras respostas de fazendeiros e veterinários de todo o Brasil.


Curandeirismo e Umbanda. É claro que a criancinha não se ugestiona, mas a mãe fica convencida... e quando acudir ao médico pode já ser tarde.
A telergia - A telergia pode murchar uma planta ou matar uma animalzinho. Evidentemente explicarmos este poder sobre animais pequenos e plantas. devemos deixa-lo para outra oportunidade, ao estudarmos o popularmente chamado "mau olhado".

No homem - O caso da cura de mitase pode servir- nos de introdução à análise dos diversos hipotéticos modos de cura parapsicológica no homem.

Devemos distinguir quatro hipóteses teóricas de influência parapsicológica no campo do curandeirismo:


1) Influxo energético, influência física (telergia, extranormal, EN) do curandeiro agindo na presença do doente.

2) Influxo espiritual, influencia extra-sensorial (PK, paranormal, PN) do curandeiro agindo independentemente do tempo ou da distância do doente.

3) Influência do próprio doente sobre o próprio organismo, sendo estimulado à distância, no tempo ou no espaço, pelo curandeiro.

4) Influência do próprio doente sobre seu próprio organismo ou doença, sendo a presença do curandeiro e seu influxo uma espécie de catalisador ou estímulo dessa atividade.


PRIMEIRA HIPÓTESE
Influxo energético do curandeiro agindo na presença do doente. O curador exterioriza uma energia (telergia), transformação da própria energia orgânica.

É evidente que se algumas pessoas podem matar animais pequenos com a sua telergia, também podem curar a "bicheira" da vaca, matando esses bichinhos ou fazendo-os cair (telecinesia). A telergia pode atuar sobre a "bicheira" da mesma maneira que golpeia (tiptologia) ou movimenta objetos (telecinesia). Acreditamos que todas as inumeráveis provas que se aduzem para demonstrar a existência da telergia, tiptologia e telecinesia, são outras tantas provas incontestáveis do possível influxo parapsicológico sobre a "bicheira".

Ora, pode acontecer algo análogo com o homem? Tema complicado. Iremos por partes.

Nas plantas e na carne - Entre as numerosas experiências que têm demonstrado que alguns psíquicos (nome dado às pessoas que manifestam fenômenos parapsicológicos) podem influir mediante sua telergia sobre animais pequenos e plantas, algumas podem nos orientar no tema do curandeirismo no homem por telergia.

Assim, por exemplo, os Drs. Clarac e Llaguet comprovaram que uma senhora, Da. Rosália Cataldo, podia mumificar tecidos vivos com a imposição das mãos, sem tocá-los. De 15 a 20 minutos demorava ela em dissecar flores, conservando-se a cor aderência das flores ao talo. Enquanto os outros sucos de uva, usados como comparação, se alteravam em três dias, o suco idêntico sobre o qual ela colocava as mãos se mantinha sem fermentar. Em 13 dias dissecava moluscos, ou pelo contrário, conservava pescados sem que perdessem suas cores naturais. Órgãos extraídos de animais, principalmente o fígado e o baço, conservava-os sem putrefação e sem cheiro nenhum. Sangue de coelho ficou vermelho durante 21 dias, secando-se depois sem nenhuma putrefação, ficando os glóbulos inalterados na forma ao exame microscópio. Deteve imediatamente a putrefação iniciada de um canário, mumificando-se o cadáver em cinco dias.

O prestigioso pesquisador e diretor do "Institut Métapsychique Internacional" de Paris, Dr. Gustavo Geley, verificou estas experiências. Pessoalmente constatou que inclusive sem evisceração, animais relativamente grandes se conservavam tão perfeitamente, após a imposição repetida das mãos da psíquica, que se podiam empalhar. Verificava-se que os parasitas microbianos eram destruídos indiretamente, pela resistência dos tecidos.

Faculdades parapsicológicas, como mera possibilidade, sem manifestações, todas as pessoas têm. Nesse sentido são faculdades normais. Emissão de telergia num grau ao menos ínfimo todo o mundo pode manifestar, ao que parece, alguma vez.

Uma experiência que às vezes pode ter êxito. O leitor poderá repeti-la. Escolhe-se um pedaço de carne crua. Impõe-se-lhe as mãos durante um par de minutos (ou mais, segundo os resultados), de forma que as extremidades dos dedos, inclinadas sobre a carne, fiquem a uma distância de um centímetro dela. Renovando-se a operação por 5, 6 ou mais vezes por dia, se necessário, observar-se-á que o pedaço de carne escurece, seca e pode depois ser conservado quase \indefinidamente. Outros pedaços de carne idêntica, não submetidos a este processo, entrarão em putrefação. Nem sempre se obtém êxito...

Nos animais - Os Drs. Bernard Grad, Remi Cadoret e G. I. Paul realizaram um interessantíssimo trabalho sobre a ação da telergia exteriorizada por um homem simples que mediante a imposição das mãos, "curava" feridas cirúrgicas feitas num grupo de 300 ratos brancos de laboratório.

O parapsicológico não é comum: os resultados foram esporádicos. Mas indiscutivelmente provatórios.

As pesquisas foram realizadas em trabalho conjunto por parapsicólogo do Departamento de Fisiologia da Universidade Mc. Gill, de Montreal.

Ora, à vista desses fatos, não se pode esperar que a telergia possa curar doenças do homem? Interessante pergunta.

Voltamos assim ao tema do "magnetismo". Mesmer acreditava que as "curas" e convulsões prévias se deviam ao "magnetismo" ou "fluido", que, dirigido pelo magnetizador e emanado pelas pontas dos dedos, atuava sobre os nervos do paciente e, indiretamente, sobre qualquer parte do organismo.

O mesmerismo na antigüidade. As teorias e práticas que Mesmer pretendeu elevar à categoria de arte terapêutica regular, sempre se tentaram utilizar.

Entre as descobertas do antigo Egito, encontram-se, sobre o muro de uma habitação, hieróglifos que se referem à arte de curar: vê-se um sacerdote em atitude de "magnetizar" um paciente por meio de passes.

Segundo Ennemoser, o "magnetismo" era praticado nos templos de Ísis, de Osíris e de Sérapis. Os sacerdotes da época praticavam a imposição das mãos com intenção terapêutica.

Na Ásia parece que desde a Antigüidade até nossos dias se utilizou o "magnetismo".
Paracelso (1493-1541) e Van Helmot (1577-1644), entre outros, conheciam o "magnetismo" na Medicina.

Na antiga Roma existiam "tocadoras", certas mulheres especiais que tocavam ou passavam as mãos suavemente sobre a parte doente para aliviar o paciente. Não se tratava em absoluto de meras massagens.

Caso parecido seria o costume universal de que a mãe, uma pessoa sadia, ou o próprio doente ponha a mão sobre a parte dolorosa...

Tratando-se de terapia empregada mais ou menos regularmente, é evidente que não se tratava geralmente de "magnetismo", de telergia, de força parapsicológica e sim de sugestão e outros fatores psicológicos. Assim foi demonstrado, nascendo o hipnotismo.
Mas, alguma vez, esporadicamente, poderia haver emissão e cura por telergia? É o tema que aos ocupa.

A origem de um mito - "O rei te toca, Deus te cura" tem sido um "slogan" e uma prática que alcançou muito prestígio durante séculos.

Suas origens são muito antigas. Plutarco conta que o rei de Épiro "curava" cólicas e doenças do baço fazendo que o paciente deitasse, de costas, e então o rei passava o dedo gordo do pé sobre as costas do supersticioso súdito. O paciente, cheio de fé e emoção, "sarava"...

Também o historiador Célio Espartanus atribui costume e façanhas semelhantes ao imperador Adriano.

O "toque real" posteriormente foi adotado por muitos monarcas demagogos ou condescendentes da Inglaterra, a partir de Eduardo, o Confessor. Dele teriam herdado tal direito e poder os seus sucessores. As antigas crônicas referem inumeráveis casos e "êxitos" terapêuticos do "toque real".

Em seguida os monarcas franceses decidiram imitar tão prestigiosa prerrogativa: também os reis franceses eram ungidos por óleo sagrado no dia da sua coroação! Existia uma lenda tradicional entre o povo, segundo a qual o óleo das sagrações reais tinha sido trazido diretamente do céu por uma pomba o dia da conversão de Clóvis!

O Toque Real - A imposição das mãos para "curar" foi "bem sucedida" aparentemente (salvo realmente nos milagres ou casos de Divina Providência especial) em reis de muito prestígio, tais como Eduardo O Confessor, São Olavo, o imperador Adriano, o rei da Noruega, Felipe I de França, Carlos imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Carlos II de Inglaterra, etc.

Durante muitos séculos existiu o costume do Toque Real. Assim, por exemplo, na França, durou dez séculos. Era principalmente aplicado a "curar" a escrófula (ulcerações ou fístulas, com tumores ganglionares, tanto se era manifestação da tuberculose ou da sífilis, como provocada por outros micróbios e fungos patogênicos).

Cerimônias do mais absurdo curandeirismo na análise moderna, naquelas épocas eram consideradas ritual religioso. Realizavam-se nas grandes solenidades, como a coroação do rei, sua visita a alguma cidade, e na véspera das grandes solenidades religiosas, tais como a Páscoa, Pentecostes, Todos os Santos, Natal...

Milhares de pessoas se acharam "curadas" pela imposição das mãos do rei. Somente numa sessão, em 1430, Filipe de Valois tocou 510 escrofulosos. Henrique III, na sua passagem por Poitiers, em 1577, tocou mais de 5.000. Luís XIV, sem sair de Paris, realizou mais de 5.000 toques entre 1694 e 1697. No dia das suas sagrações como reis, Luís XIV e Luís XV realizaram cerca de 2.000 toques cada um.

Após a morte de Luís XV já não quiseram os reis seguintes continuar atribuindo-se dons, que não tinham mais fundamento do que a superstição do seu povo. Carlos X, demagogicamente, tentou renovar o costume, mas sem êxito e houve por bem desistir: já tinham desaparecido o prestigio sugestionador do Toque Real na maioria dos franceses, ficando unicamente como uma lembrança histórica de crendices, preconceitos e costumes injustificáveis em pessoas esclarecidas.


E por telergia? - O "toque que cura", é possível que em algum rei alguma vez tivesse uma ação mais objetiva, telérgica? Mas, a telergia cura? Haveria, como tantos acreditam, "transmissão de energia"?

O toque plebeu - Algumas outras pessoas, plebéias, tiveram também grandes "êxitos" com a imposição das mãos.

Um dos mais famosos foi Valentin Greatrakes, da Irlanda, ex-juiz de paz em Cork, homem dedicado à meditação e contemplação. Diziam que muitas vezes curara a escrófula.


Sua esposa não acreditava nesses milagres nem sequer nesse poder misterioso que lhe referiam do seu marido, o que mostra, ao menos, que o êxito ou milagre não era regular.

O médium espírita Geraldo de Pádua absorveria a doença num copo (!). Para melhor enganar: No "Templo Universalista Jesus Cristo" (!!).

Uma vez, meio brincando, a esposa desafiou-o a tentar curar uma criancinha com escrófula muito dolorosa nos olhos, maçãs do rosto e pescoço. Humildemente perante o jocoso desafio, Greatrakes impôs as mãos sobre as partes afetadas da criança, e "dois dias depois o olho estava quase são" e o pescoço expulsara o pus. Um mês depois, a criancinha "estava perfeitamente curada".

O médico Dr. Stubbes pretendeu explicar os motivos do êxito de Greatrakes com palavras que poderiam ter sido emprestadas de Mesmer, se prescindirmos da terminologia e mentalidade próprias da época: "O corpo de Greatrakes está composto de fermentos peculiares, cujos eflúvios se introduziam nos corpos de seus pacientes ao tocá-los. Tais eflúvios (...) dissipam a doença".

Erro de apreciação - Exporemos mais detalhadamente em outro artigo (e já explicamos no livro "As Forças Físicas da Mente") que o Dr. Jussieu, menos partidarista e mais objetivo, se negou a assinar a conclusão completamente negativa das comissões reais contra o "magnetismo" ou "mesmerismo". O Dr. Jussieu soube distinguir muito bem entre habitual e exceção. Habitualmente, os efeitos atribuídos ao "magnetismo" não eram mais do que sugestão ou hipnotismo. Mas excepcionalmente havia também "magnetismo"?

Quando publicado, o parecer das comissões esteve muito longe de convencer a todos os sábios. Sessenta anos depois a Academia haveria de retratar-se por ter endossado a conclusão dos comissionados reais contra o "magnetismo" mesmérico. Mas pouco depois retratava-se da retratação! Grandes sábios e nomes de prestígio, sem deixar-se influir pelo desconhecimento da maioria, compreenderam e admitiram a existência do "magnetismo" deslindando-o mais ou menos dos exageros e crendice.

Parecidas ou idênticas idéias expuseram o filósofo Bouillet, o físico Ampère, médicos e fisiologistas famosos como Aubin Gauthier, Hénun de Cuvilliers, Teste Lafontaine, Charpignon, Dupau, Du Potet, Despine, Lausanne, Morin, Oliver, Perrier, Recard, etc.

Assim, por exemplo, Deleuze descrevia o "magnetismo" como uma emanação oriunda de nós mesmos (nada dos fluídos universais de Mesmer), comandada pela vontade. "Magnetizar -acrescentava Deleuze- para curar, é socorrer com sua vida a vida enfraquecida de um ser que sofre".

Esta última definição é que precisamos discutir...
O tema, parapsicológico, não normal, superava a capacidade da ciência daquela época. Após muitas vicissitudes e polêmicas, a Parapsicologia moderna terminou dando a razão a Jussieu, a Durand de Gros, a Braid, etc. no sentido da existência do "magnetismo", a telergia, como manifestação excepcional.

Mas o problema é: a telergia age sobre outras pessoas? Segundo Mesmer, o "magnetismo" só pode ser aplicado por uma pessoa, que poderíamos chamar super-sadia, cheia de saúde ou, como diz o povo, "com saúde para dar e vender". E o "magnetismo" só poderia ser aplicado aos doentes: faltos de vitalidade. "Um corpo em situação de harmonia é insensível ao magnetismo (...) Pelo contrário, um corpo que perde a harmonia, embora ordinariamente não seja sensível ao magnetismo, agora é (...) Curada a doença, o magnetismo perde seu influxo. A aplicação do magnetismo cresce com as doenças".

Escrevia Charpignon, refletindo a tese dos mesmeristas: "O fluído magnético, como todos os outros fluídos, é dinâmico, é a força vital. Acumulá-lo no sistema nervoso é, pois, aumentar as forças da vitalidade". Com "fluído vital" (ou telergia) recebido do "magnetizador", aumentariam as forças do paciente para poder se recuperar.

Um homem extraordinário. A Angelo Achile, "o mago de Nápoles", se atribuem "curas"... Estudado em 1947 por uma comissão de parapsicólogos da "Societá Italiana de Metapsíquica", comprovou-se que, de fato, às vezes emitia telergia. Às vezes manifestava um potencial elétrico de até 200 milivolts (o normal oscila entre 24 e 40) e nestas circunstâncias realizava algumas telecinesias incontestáveis, movimentando sem contato pequenos objetos ao seu redor.

As "curas" eram devidas também, ao menos em parte, a essa telergia realmente exteriorizada às vezes por ele? A telergia "vitalizava" o doente? A comissão de médicos e parapsicólogos da "Società" testemunhou no Congresso Internacional de Parapsicologia, celebrado em Saint-Paul-de-Vence, que foram admitidos os fatos de emissão telérgica, mas que se reserva "todo juízo sobre sua eficácia terapêutica".
Também o Dr. Patini publicou um trabalho demonstrando a "exteriorização de energia" por Angelo, mas nada a respeito de curas.

E uma mulher extraordinária. A Sra. Tommasini, estudada pelos Drs. Boschi e Ruata, com a imposição das mãos "curava" a artrite, paralisia, neurite, etc. Inclusive, após algum tempo, úlceras.
Tais "curas" da Sra. Tommasini eram alguma vez parapsicológicas, mediante a emissão da telergia, como opinava a própria Sra. Tommasini? Ela dizia que experimentava um esvaziamento do seu organismo, decréscimo de força, agitação nervosa, dores difusas... A emissão de telergia faria uma curva ascendente e depois descendente a julgar pelos efeitos na Sra. Tommasini.
Em prol da "cura parapsicológica", por telergia, apresentam fatos como a "cura" de um bebê pós-mielítico, onde a hipótese de sugestão e outros fatores psíquicos pareceriam excluídas... (na realidade os bebês captam muito do ambiente, reagem como por osmose).

A telergia cura? Não negamos que, às vezes, tenham os curandeiros emitido telergia. O problema na realidade é outro: havendo emissão de telergia em algum caso, a telergia pode de fato curar? Quando se segue a "cura", deve-se mesmo à telergia ou se deve à sugestão e a outros fatores psíquicos? Qual é a influência da telergia?

Contusão na perna direita do Romário justo nas vésperas da Copa do Mundo. O médium espírita Jandyr Motta e colaboradores impondo ás mãos sobre a chuteira do ogador, inclusive com a participação de D. Lita, a mãe. E novamente cinco dias depois. No entro Espírita Seareiros de Jesus"(!!) Garantiram a cura. Inútil. Fracasso total. D. Lita ficou tão decepcionada que teve que ser levada ao médico. Felizmente o que não conseguiram os curandeiros espíritas com pretendidos médicos do além, o conseguiu o
fisioterapeuta Nilton Petrônio, contratado pelo craque.
Talvez deveríamos citar experiências, numerosas, que pretendiam ter demonstrado o poder curador da telergia. Talvez as mais famosas sejam as do Dr. Ferdinando Cazzamali, professor de Psiquiatria da Universidade de Módena. Pretendia ele ter demonstrado que o homem emite um fluído (antropoflux = fluído humano), que designava com a sigla "R" (de "Radiante"). Pretendia que esse fluído curava. Veremos em outros artigos (e já vimos no livro "As Forças Físicas da Mente"), que tal fluído foi muito discutido, ao menos como emissão normal e freqüente, não passando em todo caso de esporádica emissão telérgica de algumas pessoas. Portanto, e indiscutivelmente, as "curas" freqüentes, regulares, de doenças (funcionais, histéricas, psicógenas) em regra não eram devidas à telergia, ao fluído "R". Excepcionalmente houve alguma "cura" pelo influxo da telergia? Aquelas experiências certamente não o demonstram...

Auto-refutação - Ora, é manifesto em primeiro lugar que tal transmissão de telergia não pode ser nem constante nem freqüente. Se assim fosse, o curandeiro, que exteriorizando telergia se sente debilitado (?), com poucas tentativas de "cura" ficaria completamente esgotado. E sem "superavit" a transmitir, passaria a absorver o pouco "fluído" do doente para compensar o próprio "deficit"... O paciente ficaria ainda mais esgotado!


A teoria do "vampirismo psíquico", como coisa regular, logicamente é refutada pelos próprios inventores!

É autêntico? - Ao famosíssimo curandeiro, engenheiro Jean Béziat, se atribui, em numerosas revistas e jornais de propaganda espírita, uma "cura" prodigiosa:

Uma pobre mulher residente em Reines tinha a perna corroída por uma úlcera varicosa. O aspecto era horroroso. Em certos lugares o osso estava exposto. A doente, abandonada pelos médicos, veio ver Béziat. O próprio curandeiro, à vista da extensão e profundidade da úlcera, duvidou que pudesse conseguir algum sucesso. Tentou, porém, impondo as mãos na doente. No dia seguinte, a mulher sentiu a perna rígida "como se tivesse sido secada num forno", mas não tirou as ataduras. Dois dias depois, ao retirá-las, todos puderam ver a perna completamente restabelecida e os tecidos cicatrizados, enquanto sua cama estava cheia de escaras oriundas da ferida. Algumas semanas depois não havia nenhuma diferença entre a perna tratada e a outra, a não ser pequenas cicatrizes.

Cicatrização instantânea de uma úlcera com recuperação instantânea de substância, certamente seria milagre. Se fosse verdadeiro!! Só Deus faz milagres, como demonstramos em outras series de artigos (e nos livros "Os Milagres e a Ciência" e "Milagres, a Ciência confirma a Fé".

E dissemos "se fosse verdadeiro", porque neste tão cacarejado caso há muitos pontos obscuros. Já vimos no artigo nº 2 da série anterior sobre este mesmo tema, que os exageros são praxe geral na propaganda dos curandeiros, e muito mais ainda se são espíritas. Uma verdadeira máfia dos dirigentes. Falta uma verificação científica antes, durante e depois da imposição das mãos. Afirma-se que se tratava de úlcera varicosa em que aparecia o osso, mas também se diz que a perna estava com ataduras que só foram tiradas dois dias depois. De fato Béziat e as supostas testemunhas viram a úlcera? Deve-se confiar naquelas testemunhas, se as houve? Onde estão os testemunhos médicos? Quais médicos comprovaram e quais provas certas podem apresentar de que era úlcera, de que penetrava até o osso, etc.?

"Se fosse verdadeiro", realmente parece difícil acreditar-se que tudo teria sido efeito da sugestão, por mais que esta pudesse coadjuvar. Seria necessário neste caso isolado atribuir à telergia um efeito cicatrizante? Não há indício nenhum para atribuir a recuperação de substância diretamente à telergia! A recuperação de substância só poderia ser atribuída, é claro, à própria natureza e seu poder regenerador normal pela multiplicação celular, pouco a pouco, durante alguns meses, uma vez eliminada pela telergia a ulceração. Essa ação da natureza foi ativada pela telergia?

Glaucoma e coágulo.
Havia em Bordeaux um senhor que manifestava algumas vezes telergia. Não teria permitido que se revelasse seu nome, quando uma "cura" notável foi realizada por ele. Aparece simplesmente com a inicial Th.

O Dr. Maxwell, doutor em Medicina e procurador-geral de Bordeaux, padecia de glaucoma em ambos os olhos. O glaucoma é dessas doenças que pareceriam aptas ao influxo da telergia, pois trata-se de cicatrizar e secar o excesso de líquido. O glaucoma é uma doença mais freqüente entre as pessoas de idade, decorrentes muitas vezes dos estados psicológicos de grande ansiedade e tristeza. Consiste na penetração de humores no olho, provindos dos vasos sangüíneos existentes na vizinha zona ciliar. Por qualquer inflamação do olho, a íris é projetada para a frente contra a córnea, facilitando-se a infiltração: o humor acumula-se no globo ocular e a pressão dentro dele aumenta. Com o excesso de pressão, podem-se destruir as fibras do nervo óptico.

Quando o Dr. Maxwell procurou o Sr. Th., estava já quase cego. Os professores da Faculdade declararam inoperáveis aqueles glaucomas (assim chamados pela coloração cinzento-esverdeada: do grego glaukós = verde pálido). Com repetidas imposições das mãos do Sr. Th., durante algumas semanas, o Dr. Maxwell ficou completamente curado. Quando o Sr. Th. Foi acusado de curandeirismo, o médico e procurador-geral Dr. Maxwell interpôs toda sua autoridade em defesa do seu benfeitor.

Algum tempo depois, já com 77 anos de idade, o Dr. Maxwell foi atingido por uma paralisia na metade esquerda do corpo (hemiplegia). Os eminentes professores, que o examinaram, foram unânimes em declarar como causa da hemiplegia um coágulo que se formara na região cervical.

Sendo muito difícil de dissolver o coágulo por meios químicos e não se atrevendo a um delicada operação cirúrgica, o Dr. Maxwell acudiu ao seu estimado Sr. Th. As sessões "magnetizadoras" pela imposição das mãos realizaram-se perante o médico assistente e um professor da Faculdade de Medicina de Bordeaux. Na quinta sessão, o coágulo já estava tão dissolvido que não oferecia perigo algum para a circulação. Maxwell estava curado.

Seriam realmente maravilhosas tais "curas parapsicológicas"... Mas o de sempre: foi a telergia do Sr. Th., ou foi a "força curativa da natureza" do próprio Dr. Maxwell, exaltada pela sugestão?

A telergia em dermatologia. "Certos casos isolados dos efeitos de PK sobre doenças da pele, quando aplicada por alguma pessoa especialmente dotada de faculdades parapsicológicas"... (PK, termo e faculdade inexistente com que a micro-parapsicologia da escola norte-americana designa os efeitos que, se reais, se devem à telergia).

Ora, a reconhecida raridade dos casos e a possibilidade de outras explicações, como os efeitos da sugestão, tornam muito criticáveis essa afirmação de um micro-parapsicólogo.

Numa revista médica (lamentavelmente nem todos os médicos conhecem parapsicologia) publicou-se o caso de um senhor de 39 anos, de Marselha, que sofria de desagradáveis coceiras nos glúteos, entre as pernas e no escroto. De noite as coceiras lhe impediam totalmente o sono, com o que se sentiu cada vez mais debilitado e esgotado. O estado de nervos e a irritabilidade estavam chegando ao limite do desespero. Só tinha algum alívio com banhos de assento em água fria. As coceiras complicaram-se após seis meses com escoriações. Aos 50 anos de idade, as escoriações propagaram-se à mucosa do ânus, ocasionando dores horríveis durante as evacuações.

Resultaram inúteis os tratamentos mais variados: pincelamentos, pomadas, auto-hemoterapia, injeções intravenosas com água de Uriage, insuflações de novocaína... Impotentes para cura-lo os dermatologistas de Marselha recomendaram e começou a tratar-se em Paris, com os melhores especialistas. Fracasso total no Hospital Broaca, fracasso total no hospital St. Louis, fracasso total no hospital St. Michel... Segundo a expressão do prestigioso dermatologista do hospital St. Michel, a Medicina dava "sua mão à palmatória".
Observara-se que uma primeira série de radioterapia ocasionara uma melhora relativa durante quinze dias, mas a segunda aplicação não teve nenhum efeito. Foi então que se pensou, por analogia com a radioterapia (?) e em desespero de causa, tentar o tratamento por magnetismo mesmérico (digamos telergia) a ser realizado sob o controle dos médicos pela psíquica Sra. Clerk, esposa de um importante diplomata estrangeiro.
A imposição das mãos da Sra. Clerk sobre as partes afetadas do paciente foi realizada diariamente por dois meses. Após três semanas de "cura magnética", observou-se uma notável melhora quanto às dores durante as evacuações. Dois meses mais tarde, a "cura" era completa.

Neste caso pareceria pouco provável atribuir os efeitos à sugestão ou eqüivalentes. Aliás, o próprio desenvolver da "cura" pareceria mostrar que era devido ao influxo da telergia emanada das mãos de Lady Clerk: com efeito, não era em todas as sessões que se obtinha alguma melhora, mas quando havia melhora, esta se apresentava indefectivelmente após algumas horas de imposição das mãos, e depois a melhora permanecia completamente estável, sem aumentar nem regredir, até depois da outra sessão de imposição das mãos.

O Dr. Morlaas apresentou à "Societè Médico-chirurgicale des Hôpitaux Libres", um relatório deste caso, com toda a documentação científica, assim como de outros 3 casos semelhantes de "cura" obtida pela imposição das mãos da Sra. Clerk: líquen róseo plano, eczema profissional nas mãos de um padeiro e eczema profissional de lavadeira com flebite na perna esquerda.

Lady Clerk, claro está, nem sempre obtinha êxito, mas o fato de não ser único o caso, mas corroborado por mais outros três... Seria argumento que faria plausível aceitar que os resultados eram devidos à telergia da Sra. Clerk durante a imposição das mãos?
Ou em último caso foi telergia dos próprios doentes?

O Dr. R., interno do hospital de Bordeaux, tomou estes casos e outros praticamente idênticos como tema de sua tese doutoral em Medicina (sem saber Parapsicologia?!).


O que concluir? Em Parapsicologia é inegável a existência da telergia; é inegável que algumas pessoas exteriorizam telergia algumas vezes; é inegável a atuação da telergia alguma vez sobre objetos, sobre plantas, sobre animais pequenos, sobre pedaços de carne cortada, etc.

Tem-se observado que todos os casos bem comprovados de aparente influxo terapêutico da telergia no homem têm denominador comum: trata-se de secar, de cicatrizar, de paralisar os agentes patógenos ou de efeitos análogos. Semelhante ao influxo da telergia em animais ou em pedaços de carne...

É um aspecto certamente limitado, não é a telergia um fator diversificado, aplicável a vários tipos de doenças. Mas embora delimitado, não deixaria de ser importante, se fosse confirmado! Porque contra todas as explicações de "cura" por telergia, cabe sempre a explicação por sugestão e outros fatores.

O problema é muito maior: a telergia de fato atua sobre o homem?
É inegável que a telergia não age sobre outra pessoa... Num caso de "poltergeist" ou "casa mal assombrada", por exemplo, os objetos levados pela telergia não dão golpes a outra pessoa diferente do próprio psíquico (a não ser de ricochete, ou inércia, não ainda levados pela telergia)... Em qualquer efeito telérgico, ao passar-se a mão entre o psíquico e o objeto, interrompe-se o fenômeno, "corta-se a linha da força".

É inegável que à telergia pode-se aplicar à título de comparação a lei do magnetismo: "Forças do mesmo signo se repelem". Um homem não atua sobre outro homem por telergia. Pode, sim, atuar sobre si mesmo, não sobre outro...

Não obstante, os casos citados, certamente excepcionais mas não únicos, bem observados, advogam pela realidade de algum influxo telérgico em certas "curas". Sim, mas incontestavelmente não pode ser influxo da telergia do curandeiro... Será que o curandeiro seria uma espécie de catalisador da telergia do próprio paciente?
Como conclusão da sensacional polêmica secular: nada derruba a tese da reta Parapsicologia de que na realidade não existe influxo telérgico de uma pessoa em outra. Só do psíquico em si mesmo.

Sendo assim, o tema é diferente: passa às hipóteses 3 e 4 das propostas e negritadas no início. Deveremos tratá-lo nos próximos artigos desta 2ª serie.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Diagnósticos Parapsicológicos?

Inumeráveis diagnosticadores - Segundo Marc Brivet, presidente da "Associação para o Reconhecimento da Radiestesia Médica" (até agora não conseguiram e esperemos que não consigam!) havia em 1954 na França mais de 40.000 pessoas que praticavam a radiestesia. Quase todos se arriscavam a "estabelecer diagnósticos e a tratar doentes".

O Dr. Colinon e o grande parapsicólogo Robert Amadou após suas pesquisas, não acham este número exagerado. E o número vai sempre em aumento. Acrescentemos os outros diagnosticadores não-radietesistas, evidentemente mais numerosos. E em outras partes do mundo. E ficaremos assombrados com o número ingente de curandeiros diagnosticadores no mundo.


Radiestesia - O nome radiestesia, no seu sentido específico e etimológico (perceber radiações), não corresponde à realidade, salvo em raríssimas ocasiões.
Os teóricos da radiestesia argumentam (?) que é possível perceber as radiações cerebrais que correspondem aos diversos estados de saúde, da mesma forma que as percebe o eletroencefalógrafo. "O receptor biológico, o homem, é mais sensível do que o receptor físico, o eletroencefalógrafo", afirmam.

--É verdade, no inconsciente existe a Hiperestesia (direta: HD; e indireta do pensamento: HIP, como provamos na 1ª serie sobre "A prodigiosa sabedoria do inconsciente", ou no libro "A Face Oculta da Mente). Mas isto não quer dizer que esteja provada, para estes casos, a radiestesia. Analogia não é argumento.

Não negamos que um radiestesia possa captar, até sem contato, por hiperestesia inconsciente, essas mínimas emissões elétricas do cérebro de outra pessoa, como inconscientemente se captam muitas "radiações humanas". Mas ainda ficaria o problema por parte do inconsciente do radiestesista da interpretação dessas captações. Mas ainda fica o problema da manifestação ao consciente.

Não negamos que em algum caso essa captação e interpretação possa se manifestar por movimentos da mão ampliados pelo pêndulo. Mas, neste caso, o fenômeno entraria de cheio no terreno dos fenômenos parapsicológicos. Não seria um fenômeno comum e regular como pretendem os radiestesistas. Seria um fenômeno parapsicológico, não um fenômeno orgânico comum e portanto essencialmente irregular, incontrolável como todo fenômeno parapsicológico e sujeito a mil erros pela intervenção do psiquismo inconsciente e seu vasto e complexíssimo mundo.


A Catedral de Milão, iniciada no século XIV (1386) e terminada no século XIX (1813). O “misterioso” repicar dos sinos foi no século XVII.
Diagnóstico por radiestesia?
A mesma coisa, ou muito mais!, devemos dizer com respeito às demais afirmações dos radiestesistas sobre o diagnóstico "médico".

O radiestesista compara a radiação humana vital (?) com as radiações das substâncias químicas de um órgão sadio, que seriam diferentes das dos órgãos doentes. Pondo-se o remédio na mão do doente, o pêndulo giraria numa direção quando o remédio é conveniente; na direção contrária quando desaconselhável, e ficaria quieto quando o remédio fosse inútil. Inclusive, pela amplitude dos movimentos do pêndulo, determinar-se-ia o grau de conveniência ou inconveniência do remédio, e o grau de acerto ou erro do diagnóstico. Idênticos poderes se teriam para a localização de órgãos afetados, etc.


Nenhuma destas afirmações está comprovada. Ao contrário, comprovou-se cientificamente que são falsas. Alguma vez também o radiestesista pode acertar, como pode errar pelos inumeráveis fatores de erro do psiquismo. Porque a radiestesia é uma de tantas técnicas ou mancias, "a gosto do consumidor", para a manifestação dos conhecimentos e adivinhações, erros, invenções ou associações do inconsciente, como a psicografia, "oui-já", movimentos do copo ou da mesa, projeção alucinatória na bola de cristal ou cristalomancia, oniromancia, etc.

A radiestesia "médica", por conseguinte, entra de cheio no âmbito escuro do curandeirismo.

Repercussão orgânica - O Dr. Calligaris, professor de Fisiologia na Universidade de Roma e parapsicólogo, entre milhares de experiências sobre as placas epiteliais cita a que indicaria, por exemplo, se a quantidade de alimento, veneno ou remédio, que se tem na mão, está ou não dentro dos limites máximos compatíveis com a saúde normal daquela pessoa nesse momento. O mesmo aconteceria tocando-se na fotografia ou num manuscrito que descrevesse esses remédios, etc.
As experiências do Dr. Calligaris, são muitas e impressionantes. Mas também, em primeiro lugar, precisam ser confirmadas, como ele mesmo confessa. Em segundo lugar, a reação em tais placas corresponderia, como percebe Calligaris, à adivinhação inconsciente a respeito das substâncias em questão, não a um influxo das substâncias, ou da sua fotografia, ou do manuscrito..., sobre o organismo do radiestesista.

Também desta maneira podem-se explicar alguns diagnósticos e receitas dos curandeiros. Seria uma espécie de HIP ou HIE (veja-se a serie ou livro citados): o curandeiro adivinharia através das excitações das placas ou através de outra série de reflexos, o pensamento ou mesmo a adivinhação inconsciente do próprio consulente. Não é um fenômeno orgânico, mas parapsicológico. Adivinhação de adivinhação. O curandeiro se exporia, pois, a inúmeros erros por duplo motivo.

Diagnóstico em sonhos - O diagnóstico divinatório de doenças empregou outras inumeráveis técnicas, sendo relativamente comum em todas as épocas e civilizações. Por exemplo, a oniromancia ou adivinhação através dos sonhos.
Sem cair, de um lado, nos exageros dos ocultistas, magos, adivinhos, nem, de outro lado, nos exageros e abusos inclusive de certos psicanalistas freudianos, não há dúvida de que a oniromancia tem algum fundamento e, concretamente, para o diagnóstico de doenças. Tem sido usada desde a Antigüidade. É evidente, porém, que com enorme perigo de subjetivismo e erro, confundindo eventualidade com regularidade!
Já os sacerdotes médicos gregos analisavam os sonhos para diagnosticar o estado humoral ou surpreender nos seus começos certos processos morbosos. Descreveremos alguns casos em próximos artigos.
Aristóteles alude a isso. Em seus tratados de Medicina, Hipócrates e Galeno tratam dos diagnósticos por sonhos. Hipócrates inclusive aprendeu grande parte dos seus conhecimentos de Medicina estudando as descrições das doenças e remédios sonhados, tal como se conservavam nas inscrições do templo de Esculápio, em Cós, cidade onde ele nasceu e viveu. O grande médico Galeno, nascido na Ásia Menor, no ano 129 d.C., afirmava que em algumas ocasiões ele mesmo sonhara não só com o diagnóstico, mas também com o modo de tratar certas doenças.

O inconsciente avisa - Esses eventuais sonhos de diagnóstico até muito precoce são explicados perfeitamente pelo talento do inconsciente, que simboliza e exagera os mínimos sintomas que capta hiperestesicamente (rarissimamente por telepatia, extrasensorial).
Abundam os exemplos. Os Drs. Meunier e Masselon citam o caso de uma menina que, em sonhos, sentia que lhe apertavam a cabeça com um torno. Pouco depois se apresentavam sintomas de meningite.

Os Drs. Vaschide e Pierón referem o caso de outra menina que sonhara com um carregador que lhe punha sobre o pescoço uma caixa muito pesada: poucas horas depois de acordar, apareceu angina.

Dias antes de surgir uma ferida maligna na perna. A. de Villeneuve sonhou que um cachorro o mordia.

Gessner sonhara que fora picado por uma serpente, surgindo mais tarde no lugar da picada uma úlcera, causa de sua morte.

Macário sentiu em sonhos a garganta fortemente inflamada. Acordou em perfeita saúde. Horas depois se manifestava violenta amigdalite.

Um estudante sonhara que sentia dor no peito e que aumentava ao respirar profundamente, produzindo tosse. Quando acordou, sentiu-se perfeitamente e, por conseguinte, não deu importância ao sonho. Dois dias depois, porém, surgia a febre e dor no lado, tendo o exame revelado inflamação pleural.

São tantos os caos semelhantes que é completamente inaceitável atribuí-los à casualidade. Como também é inaceitável atribuí-los todos, ou na maior parte, à inversão do processo, atribuindo as doenças ao influxo da imaginação excitada no sonho.

Nas antigas experiências de magnetismo e nas modernas de hipnotismo, os casos de "lucidez médica" tem atraído a atenção (às vezes em demasia).

A experiência mais simples e clássica é pôr um hipnotizado em relação com uma pessoa atacada de uma doença qualquer, ignorada pelo pesquisador. Se o próprio doente não sabe com precisão em que consiste sua doença, se não tem instrução do ponto de vista médico-fisiológico, o fator leitura-do-pensamento ficará anulado tanto quanto possível.

Nestas circunstâncias, o hipnotizado tendo entre as suas as mãos do paciente, tentará como que contagiar-se; sentir dor em si mesmo exagerando os sintomas da doença, ou ver os próprios órgãos correspondentes aos afetados no paciente.

Se o hipnotizado é predisposto à lucidez médica, alguma vez poderá por esta espécie de transposição da sensibilidade (pela hiperestesia direta ou indireta), fazer um diagnóstico mais ou menos preciso.

Não é propriamente a "transposição da sensibilidade" o que nos interessa aqui, mas o diagnóstico. A "transposição da sensibilidade", isto é que o dotado sinta no seu próprio corpo a doença do consulente, não é mais do que o modo de expressão da adivinhação do inconsciente, como poderia expressar-se pela escrita automática, pela "brincadeira do copo" e por outras maneiras, até pela dermografia (estigmatização).

O inconsciente do adivinho manifesta seu diagnóstico com dores nas partes do seu próprio corpo, que podem corresponder (ou não!) às realmente doentes no corpo do consulente, presente ou ausente. Também pode experimentar dores em relação a pessoas já falecidas (o que só a falta de lógica própria dos espíritas pode aceitar que estarão ainda doentes "no além"), como por exemplo aconteceu nas experiências realizadas pelo Dr. Osty. Ou em relação a pessoas fictícias ou doenças inexistentes...

Desta maneira se explicam alguns diagnósticos dos curandeiros.

Os êxitos nestes casos de HIP não são regulares, mas certamente são menos raros do que aqueles nos quais nenhum dos presentes conhece a doença e seu tratamento. Se a HIP é pouco freqüente, a ESP (Percepção Extra-Sensorial à distância, do passado e inclusive do futuro) é exceção.

"Numa reunião em nossa casa (...), com a assistência de três conhecidos médicos e uma senhorita recém-apresentada, a vidente (a senhora da casa, D. Maria Amanda Ravagman de Fernández) disse: 'a senhorita tem algo menos bom em seus rins (...) Tem um pouco de albumina'. Um dos médicos presentes, o Dr. Juán A. Schoeder, diretor de Laboratório do Hospital Muñiz, fez no dia seguinte a análise correspondente e encontrou pequena dose de albumina".

Explicação?: conscientemente a Srta. A. não sabia nada da sua própria doença. Mas o inconsciente a sentia. Muito freqüentemente, espíritas mal intencionados se disfarçam até de cristianismo para melhor enganar no exercício do curandeirismo.


Diagnóstico à distância - O inconsciente é hipersensível (hiperestésico) e pode sentir os mínimos sinais ou pródromos absolutamente iniciais de uma doença.

Quando um fato se refere a nós mesmos (ou a seres ligados a nós afetivamente) e, se além disso, é um fato importante, precisamente por isso o fato está mais excitado no nosso inconsciente e mais facilmente é captado pelo adivinho. É o fenômeno chamado HIE: Hiperestesia sobre o Inconsciente Excitado.

Com o chamado mecanismo "em L" ou "a três", alguém capa de nosso inconsciente alguma coisa que nós temos inconscientemente adivinhado com respeito a uma terceira pessoa. Se consultarmos um adivinho ou curandeiro sobre a saúde de parente, alguma vez pode adivinhar. Mas, se lhe perguntarmos por carta, dificilmente adivinhará: a manifestação da ESP é raríssima, mas não é tão rara a manifestação da HIP.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Espiritismo em maus lençóis

"REVELAÇÕES DOS ESPÍRITOS = DOS DEMÔNIOS"

Em "O livro dos médiuns" Allan Kardec, na sua imensa ignorância (e grande desejo de enganar), afirma:

"Abaixo de Deus não há outros espíritos, senão almas humanas, desencarnadas (?) e encarnadas (...) Pela palavra demônios devem entender-se os espíritos impuros (...) Seu estado é transitório, espíritos de homens maus que com reencarnações (?) se purificariam (...) Os demônios não são outra coisa que os maus espíritos, e salvo a crença de que os primeiros são perpetuamente voltados ao mal (...), não há entre eles senão uma diferença de nome".
É tão absurda a pretendida comunicação espírita, que pessoas inteligentes chegaram até o erro de identificar os se-dizentes espíritos
comunicantes com alguém vindo do Inferno (!?) ou até com o mesmíssimo Diabo (!?).
Ensina (?) o "grande mestre" Mario Cavalcanti de Mello:
"Eis os diabos da Igreja Romana: simples criaturas desencarnadas a produzirem fenômenos com o auxílio de médiuns. Criaturas humanas".

E Zeus Wantuil, que foi Presidente da Federação Espírita Brasileira, começa por criticar o dogma da Igreja Católica...

A demonologia, embora Wantuil não o saiba, não pertence ao dogma...

Critica, pois, as crendices de muitos séculos entre católicos e protestantes a respeito da atividade demoníaca, e acusa essas crendices de absurdas e causadoras de grandes males.

Não lhe falta alguma razão nisso, embora as circunstâncias históricas não sejam tão simples como ele, e todos os inimigos da Igreja, supõem ou fingem que não sabem...

Por fim, o "mestre" espírita desemboca no que agora nos interessa:
"Era, porém, chegada a hora de tudo ser esclarecido (?), e ficou demonstrado (?), provado (?), que os tais demônios nada mais eram que as almas daqueles homens que na Terra foram maus, frívolos, brincalhões, materialistas, indiferentes, hipócritas, orgulhosos, fraudadores etc., e que ao atravessar o túmulo, em pouco ou em nada mudaram, conservando como é mais lógico (!?) os mesmos defeitos e imperfeições que possuíam quando no corpo de carne".

Nessas frases há vários erros, mas o que interessa agora é que, segundo o espiritismo, os demônios, ou diabos, ou... (os "mestres" espíritas caem na mesma, ou maior, amalgama de conceitos da crendice secular), seriam os espíritos "desencarnados" (?) dos homens maus. Segundo o espiritismo, não existiriam demônios no sentido cristão (o exato seria dizer diabos, anjos livremente desobedientes a Deus; demônios era o nome dado às doenças internas).
SERIAM DEMÔNIOS DISFARÇADOS

Ora, se segundo os espíritas tudo o que entre os cristãos foi explicado (?) pela intervenção dos demônios deve entender-se como intervenção dos "espíritos inferiores" dos mortos, o inverso tem que ser aceito pelos espíritas: tudo o que os espíritas explicam (?) por intervenção dos "espíritos inferiores" dos mortos se enquadra no requinte de malícia, na perversidade monstruosa, da intervenção dos demônios no conceito dos cristãos.

Exemplos? Todas as chamadas comunicações de espíritos! Muitos casos são bem sintomáticos:

Já as irmãs Fox, que deram origem ao espiritismo, grandemente veneradas pelos espíritas, estavam convencidas no começo de que o espírito "comunicante" era o próprio Diabo. Escreve o "mestre" espírita Carlos Imbassahy:

"Foi o comunicante que se declarou espírito (lembremos o "grande argumento": "Eles próprios o afirmam", artigo No.3) (...), o chamavam de pé de bode (...) e o tinham como demônio, pois só o demônio poderia vir entreter-se com os homens, só o demônio poderia ser o batedor (tiptologia) invisível. Coisas do demônio, em suma".

Imbassahy nem percebeu as conseqüências profundas que para os espíritas deveria ter tal identificação feita pelas fundadoras do espiritismo...

Num terreiro em Cuibá (MT) os acontecimentos arrepiavam as testemunhas. Correu a fama pela cidade.

"Meu irmão Wanderley -Magalhães de Siqueira-, muito corajoso, aceitou o 'desafio' e foi lá. No fim do show, estando o médium ainda possuído pelo espírito, meu irmão aproximou-se e perguntou:

- 'Quem é o senhor? Qual a sua origem?'.
- 'Senhor, não. Senhor é só Aquele de lá de cima', corrigiu imediatamente o possesso.
- 'Então, quem é você? De onde você vem?'

Ele deu mostras assustadoras de não gostar da pergunta. Mas perante a insistência, valentia e esconjuros de Wanderley, terminou por responder:

- 'Eu sou um anjo caído, um anjo condenado, vim do inferno'".

Tudo é contraditório. Se fosse um demônio não reconheceria que "Senhor, só Aquele lá de cima". Se fosse um espírito inferior, mau, de morto, não mostraria tal respeito ao Senhor. E se fosse um "espírito superior" não mentiria disfarçando-se de demônio.
Mas tudo é compreensível na simples prosopopéia do inconsciente do médium em transe, em estado alterado de consciência.
CONCORDAM OS ESPÍRITAS MENOS INCULTOS

Escreve Staiton Moses:
"O médium está sempre exposto aos assaltos de todos os espíritos malignos (...), somos vítimas de um sistema organizado de cruel impostura, indo até servir-se dos mais sadios sentimentos do gênero humano. O espírito que age de tal modo, apesar de manter um ar de sinceridade e elevação, deverá sem dúvida ser o demônio em pessoa, travestido de anjo de luz".

Devem reconhecê-lo os espíritas menos incultos, os anglo-saxãos, dado que tal ensinamento teria sido recebido mediunicamente pela psicografia nada menos de Staiton Moses, para eles um dos mais confiáveis médiuns da história do espiritismo, ou o mais confiável e prestigiado.
CONCORDAM NA TEOSOFIA

Assim C.W. Leadbeater...:
Gaspar era um fantasma, visto só duas vezes, "envolto num amplo capote e com chapéu alto e de abas largas", mas durante três anos anunciava com psicofonias o futuro (precognição, Pcg) a todos os membros da família e aos empregados.

Comenta "o grande mestre" teosófico:
"Naturalmente, alguns indivíduos desta família deviam ter aptidões mediúnicas, de modo que o desencarnado (?) tirara deles a matéria (telergia invisível e ectoplasma visível) suficiente para emitir a voz física (psicofonia) e aparecer (fantasmogênese) por duas vezes. Quando a família se mudou para outro país, o comunicante não a seguiu, porque talvez tivesse se elevado a um nível do qual lhe fosse mais difícil a comunicação".

Isto é, quanto menos desenvolvido o espírito, mais fácil seria a comunicação; quanto mais desenvolvido, mais difícil, até tornar-se impossível...

E com respeito a uma pretensa aparição de Sto. Estanislau Kostka, o mesmo autor, ignorando que os milagres são por poder divino, não dos santos, explicita mais a mesma "explicação". E isto é que agora interessa:

"Embora isto (que se tratasse de aparição do santo) seja possível (segundo o mestre teósofo e os espíritas!), não é, no entanto, provável, pois Sto. Estanislau Kostka morreu há muitos anos, e parece inverossímil que um homem de sua categoria se detivesse tanto tempo no mundo astral (?!), não obstante haver morrido moço, pois precisaria para isso (...) de um conjunto de circunstâncias quase impossível de reunir. Ao homem de (...) vida depravada é possível permanecer dilatado tempo no mundo astral, porém não a alguém de natureza tão delicada, terna, pura e devota como o famosos jesuíta".

Isto é, após a morte só os espíritos de pessoas depravadas poderiam se comunicar com os vivos...
CONCORDAM NO OCULTISMO

Enfim, entre outros exemplos, basta citar o proceder de uma das maiores autoridades do esoterismo. É sabido que Agrippa abandonou o ocultismo e voltou ao catolicismo, porque ficou convencido de que na evocação dos mortos, na necromancia, na magia etc. quem agiria é o Diabo e seus demônios, mascarando-se de espíritos de mortos e de forças ocultas da natureza. Depois disso só a Bíblia e a teologia lhe interessavam.

É muito fácil alencar, como já se fez, "recitados de testemunhas" das maiores vilezas oriundas do espiritismo.
É muito fácil alencar, como já se fez, "recitados de testemunhas" das maiores vilezas oriundas do espiritismo.
ERRADAMENTE CONCORDAM TAMBÉM NO CRISTIANISMO

Entre os teólogos protestantes, aqueles que pesquisaram do ponto de vista da Sagrada Escritura as
manifestações do espiritismo são praticamente unânimes em afirmar que se devem aos demônios. Fundamentam-se principalmente em que o espiritismo está severamente condenado na Bíblia, onde é chamado de abominação (por exemplo em Lv 18,9-12).

Muitos teólogos católicos -quando não bem a par das pesquisas da parapsicologia, como lamentavelmente é freqüente- concordam com os protestantes.

Igualmente muitíssimos entre o povo cristão em geral, de acordo com o seguinte raciocínio clássico -errado!-: não podem ser nem Deus nem os anjos, nem as almas do céu nem as do purgatório, porque a doutrina espírita se afasta quase em todos os pontos da doutrina cristã. Não podem ser, também não, as almas dos condenados ao inferno, porque ninguém sai do inferno pelo próprio poder e Deus não faria um milagre para enganar na doutrina... E daí concluem com um erro..., até maior: são, por conseguinte, os demônios. E "esquecem" que se trata simplesmente de fenômenos humanos.

Alcançou grande difusão entre os católicos e elogios da revista "Civiltà Cattolica" o livro de Mousseaux. Ele analisa as "proezas" dos médiuns norte-americanos. Analisa também "as mesas girantes" (paracinesia), muito em voga então, nos primórdios do espiritismo. E assegura que se trata unicamente de "comércio com os demônios".

-- Também ele apoia-se preferentemente em textos bíblicos...
À Bíblia não corresponde a análise de fatos, isso pertence à Ciência. A Bíblia é um livro de Doutrina (e moral...) Sobrenatural Inobservável.
PROSOPOPÉIA

Em plena discussão entre espíritas e pioneiros da parapsicologia, surge o grande cientista Pierre Janet. Estuda sem preconceitos, analisa os fatos, demonstra que são manifestações do inconsciente e cura os doentes. Não há mais base para discussão.

Um exemplo clássico, entre os pioneiros da pesquisa, semelhante a muitos outros relativamente freqüentes:

"Dailll, um homem de 33 anos, é levado à Salpêtrière no mês de novembro de 1891, em um estado lamentável. Tem o rosto coberto de sangue e com crostas secas. Porque se fere com as próprias unhas. Tem os olhos desvairados de espanto, os lábios gretados. Não pode ficar senão acompanhado e estreitamente vigido. Quando deixado sozinho, procura fugir".

Para os espíritas e para as testemunhas não-especialistas que conhecem um caso destes, não haveria dúvida: trata-se de obsessão por espíritos perversos ou pelos demônios. Acenam para os fatos. Só pode ser perverso quem "o arrojou, pés atados, num pântano (...) Sente outro demônio no peito, que o impele a pronunciar blasfêmias (...) Vê o demônio, todo preto, com chifres e figura ameaçadora (...) Após seis meses, só fala de demônios, enxerga-os, ouve-os, sente-os diante de si, e comete mil loucuras (...) Escuta o obsessor cochichar ameaças no ouvido, maldições e conselhos perniciosos, como 'dá-te à bebida', 'está chegando o fim do mundo' (...), 'vai deitar sobre os túmulos do cemitério', onde foram enterrados os corpos dos espíritos obsessores ou de outros companheiros. Uma manhã, sem motivo, estoura em riso (...) que aterroriza todos os presentes. Ri sem parar durante várias horas e depois diz todo tipo de incongruências".

Para a ciência, porém, nem demônios nem espíritos. Pierre Janet, após as devidas análises e com toda sua experiência, diagnosticou, e é reconhecido plenamente pela parapsicologia:

"Alucinações de todos os sentidos complicadas por desejos impulsivos e por interpretações delirantes (...) Delírio de possessão, com agitação maníaca aguda".

Tal diagnóstico será ridicularizado de imediato pelos "mestres" do espiritismo, na sua ignorância. E negado também por alguns teólogos, que acreditam em "milagres do demônio" (?!). É notável como esta interpretação supersticiosa fanatiza inclusive pessoas em outros temas equilibradas e inteligentes! Apoiam-se em preconceitos teóricos, sem analisar nem entender de antecedentes, etiologia, pródromos da doença e descobertas da ciência experimental.

Responde Janet e a ciência:
"Não obstante eu sei e posso demonstrar (...) que se trata de um delírio verdadeiramente histérico":

1º ) ANTECEDENTES
"Este doente pertence a uma família evidentemente com muitas taras: o pai era supersticioso e obsessivo; o avô paterno em várias ocasiões fugiu inconcebivelmente; a mãe é de temperamento instável e alcoólica, como também a avó materna; Daill foi sempre medroso e impressionável".

Alguma vez alguém plenamente sadio, física e psiquicamente, sofreu "incorporações" ou "possessões"?

2º ) ETIOLOGIA
Muito habilmente Janet provocou escritas automáticas (psicografias):
"O demônio comunicava-se nas suas escrituras como os espíritas nas suas experiências espíritas. Conseguimos transformar estes atos subconscientes em sonambulismo (hipnótico). O doente encontrava normalmente neste estado todas as lembranças, e pode explicar-nos as causas psicológicas (...). Fazia um ano que empreendera uma pequena viagem (...) Durante a viagem, Daill atreveu-se a trair sua esposa e ficou cheio de remorsos e atormentado pela idéia de uma doença contagiosa" (...)

Está patente a origem da histeria, suprimindo o recurso supersticioso a demônios ou espíritos obsessores.

3º) PRÓDROMOS
"Daí seu mutismo e o afastamento da mulher (...) Sombrio e preocupado falava pouco e rejeitava a esposa. 'O mau humor continuou e parecia -dizia sua esposa- ter perdido a fala porque fazia esforços para falar sem consegui-lo, tinha de escrever o que desejava'. Mais adiante falava um pouco, mas caiu em angústias e aniquilamento (...) O doente recusava-se a abandonar o leito, não se barbeava e deixou de se alimentar. Ficava imóvel, quase não falava e desviava-se da esposa e da filhinha (de sete anos) (...) Havia sonhado que estava muito doente e que morreria logo. Imaginou que foi transportado ao inferno, ao meio dos demônios. Neste momento o sonho subconsciente havia engrandecido e provocado as alucinações no seu consciente. As interpretações do doente fizeram o resto e determinaram o delírio".

Sobram os demônios. Sobram os espíritos dos mortos.

4º) E POR FIM A CURA
Com técnicas de psicoterapia, "num mês o 'diabo' foi batido e retirou-se definitivamente. Dois anos depois a cura mantém-se absolutamente completa (...) Não precisamos acrescentar que um caso destes é fácil de curar".

Quantos casos semelhantes, e aparentemente mais impressionantes por serem acompanhados de fenômenos parapsicológicos, casos inclusive enviados em desafio por exorcistas e espíritas foram curados em pouco tempo e definitivamente na Clínica do CLAP. Alguns casos publiquei no livro "Antes que os demônios voltem". Sem exorcismos. Sem trabalhos de "limpeza", ou "descarrego", ou desencosto"..., que na realidade aumentam a mentalidade supersticiosa e multiplicam os casos epidemicamente. Só com conhecimentos de parapsicologia e com psicoterapia. Cura natural de causas e fenômenos naturais...

CONCLUSÃO


Mas não estamos aqui tratando de demonologia, o que fazemos em outros numerosos artigos. O que interessa aqui é destacar que o espiritismo em geral é tão cheio de contradições, de ignorância, tão anti-religioso em geral e tão anti-cristão em particular, de tão baixo calibre..., que as pessoas mais inteligentes, de todos os ângulos e inclusive os próprios líderes do espiritismo acabaram por identificar os supostos espíritos com os demônios!

O espiritismo em maus lençóis.